No início da apresentação destas colunas que são separadas por capítulos formando uma série, foi demonstrado o macrodesafio que atualmente se apresenta aos laboratórios clínicos. No passo seguinte é colocada uma proposta de solução e introduzida a teoria que fundamenta esta proposta, sendo de imediato detalhado um método para aplicação nas empresas. A presente coluna continua na lógica de viabilizar a referida aplicação teórica na prática, considerando que para implantar um Sistema Integrado de Gestão – SIG, devemos usar um conjunto de ferramentas especiais, exigido para esta finalidade. Esta coluna e as próximas vão buscar aprofundar, na medida do possível, este assunto que é importante para a gerência dos processos, que por sua vez é a base do controle de qualquer organização.

Inicialmente vamos ressaltar a diferença entre método e ferramenta. O método é o caminho para atingir a meta. É a sequência lógica para alcançar uma determinada meta desejada. A ferramenta é o recurso utilizado pelo método. Devemos dominar o método, neste caso, o MASP e, as ferramentas utilizadas nas diversas etapas que o constituem. Recomendamos aos caros leitores que busquem bibliografia detalhada sobre o MASP, onde poderão ver a utilização das variadas ferramentas ao longo das etapas que compõem o método. As sete ferramentas da qualidade foram organizadas por Kaoru Ishikawa, paladino da qualidade no Japão, com o intuito de possibilitar que qualquer pessoa com conhecimentos básicos, fosse capaz de analisar e interpretar dados ou informações da organização. Estas ferramentas foram estruturadas a partir da década de 50, com base em conceitos e práticas já existentes. Seu uso é fundamental para os sistemas de gestão, tornando-as imprescindíveis no SIG. Segundo seu criador, aproximadamente 95% dos problemas podem ser resolvidos com estas ferramentas (usando o método!). Elas exigem conhecimentos estatísticos elementares e todos no laboratório clínico devem saber utilizá-las, da alta direção aos operadores. Em função disto, é imprescindível que façam parte do programa oficial de treinamento da empresa. São as seguintes as sete ferramentas da qualidade: 1- Diagrama de Pareto; 2- Diagrama de causa e efeito (diagrama de Ishikawa ou espinha de peixe); 3- Histograma; 4- Folha de verificação; 5- Diagrama de dispersão; 6- Carta de controle; 7- Fluxograma. Como na mecânica, devemos escolher a ferramenta adequada para determinada finalidade, no caso, analisar dados. Tomar como base o tipo de dado a ser analisado. Para dados qualitativos devemos usar o diagrama de Pareto. Para dados quantitativos são utilizados o histograma e o diagrama de dispersão. Se forem dados quantitativos compilados ao longo do tempo, empregar a carta de controle. Para identificar as operações de um processo antes da análise, usar o fluxograma. Para coletar os dados, que são os insumos da análise dos processos, utilizar as folhas de verificação. Na fase específica da análise são empregadas, dentre outras ferramentas: diagrama de causa e efeito; diagrama de Pareto, histograma, diagrama de dispersão e gráfico de controle. Para elaborar planos de ação, utilizar o 5W 2H. Ressaltamos que a uso de todas estas ferramentas, só faz sentido para análise de processo, com o emprego de um método (PDCA, MASP). A seguir, cada ferramenta será brevemente descrita. Recomendamos aos caros leitores que busquem, caso desejarem mais informações, na vasta bibliografia específica sobre o assunto.

1 – Diagrama de Pareto

Descrição sintética: gráfico de barras que ordena as ocorrências de problemas iniciando pelo de maior frequência e concluindo com os de menores frequências. Utilização: priorizar os poucos problemas que possuem o maior impacto no resultado. Generalidades: apresenta a distribuição dos itens (problemas menores que são as causas do problema maior) e os coloca por ordem decrescente em função da frequência de ocorrência. O Diagrama de Pareto é uma imagem gráfica das causas mais frequentes de um problema normalmente complexo. Orienta os responsáveis pelos processos onde colocar os esforços iniciais para obter ganho máximo na solução, ainda que parcial, de um grande problema.

Nesta coluna vimos quais são as principais ferramentas utilizadas por um Sistema Integrado de Gestão – SIG, o qual pode proporcionar uma efetiva gestão profissional dos laboratórios clínicos. Estas ferramentas servem para diversos propósitos, sendo um dos principais, o Método de Análise e Solução de Problemas – MASP, basilar para o controle dos processos e, portanto, do laboratório. Na próxima coluna vamos continuar a tratar das “Sete ferramentas da qualidade”, essenciais para a implantação do Sistema Integrado de Gestão – SIG.

Até lá pessoal e que Deus vos acompanhe!

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Humberto Façanha
Publicado por Humberto Façanha

Atualmente é diretor da Unidos Consultoria e Treinamento e professor da Pós-Graduação em Análises Clínicas do curso de Biomedicina – Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (IESA). Professor do Centro de Pós-Graduação da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas – CPG/SBAC. Mestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Engenheiro Eletricista pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Engenheiro de Segurança do Trabalho pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Especialista em Engenharia de Análise e Planejamento de Operação de Sistemas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG/ELETROBRAS), formação em gestão da qualidade e Auditor Líder em ISO 9000. Contatos: humberto@unidosconsultoria.com.br e hfcfunidos@yahoo.com.br

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