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As bactérias produtoras de ácido lático são Gram positivas, se caracterizam por produzir ácido lático a partir de carboidratos, sendo úteis para a fermentação de alimentos. foto: freedigitalphotos

Os micro-organismos probióticos, de acordo com a definição dada pela Food and Agriculture Organization of the United Nations e Organização Mundial da Saúde, são descritos como aqueles que se forem administrados em quantidade adequada são capazes de conferir benefícios aos seus consumidores.

Os prebióticos são substâncias não digeríveis que oferecem um efeito fisiológico benéfico ao hospedeiro, estimulando seletivamente o crescimento favorável ou a atividade de um número limitado de bactérias autóctones.

Os simbióticos são produtos que contêm tanto probióticos como prebióticos. Neste artigo, Cláudio Hirai, Farmacêutico-Bioquímico, membro da Farmacopeia Brasileira do Comitê Técnico Temático de Microbiologia, membro da American Society of Microbiology e autor de diversas publicações em revistas científicas, aborda os microrganismos probióticos que têm adquirido a cada dia maior relevância para as indústrias farmacêuticas e de suplementos alimentícios, com implicações para o controle microbiológico de qualidade e no desenvolvimento destes produtos.

Há cerca de 100 anos Elie Metchnikoff, professor do Instituto Pasteur, relatou que as bactérias ácido láticas poderiam oferecer benefícios à saúde, aumentando a longevidade dos consumidores.

Lilly e Stilwell definiram os micro-organismos probióticos como aqueles de origem microbiana que têm a capacidade de estimular o crescimento de outros microrganismos.

São micro-organismos vivos que podem ser incluídos na preparação de uma ampla gama de produtos, incluindo alimentos, medicamentos e suplementos alimentícios, tais como matrizes alimentares que incluem produtos lácteos, carnes, vegetais, pães, vinho e, como medicamentos, são indicados para:
– manutenção e balanço da microbiota do cólon
– redução do risco de distúrbios intestinais
– redução do risco e duração das diarreias associados ao rotavírus, e ao uso de antibióticos (geralmente causada por Clostridium difficile) e diarreia do viajante
– suprimento e aumento da biodisponibilidade e digestibilidade de nutrientes de dieta
– alívio dos sintomas de má absorção intestinal
– redução do risco de doenças atópicas e alergias
– indicação para o tratamento da encefalopatia hepática, doenças do trato urogenital, síndrome do intestino irritado e doenças inflamatórias do intestino
– diminuição dos níveis de colesterol sérico e de triglicerídeos
– controle da pressão sanguínea
– atividade anticarcinogênica
– modulação do sistema imune

Os mecanismos pelos quais os probióticos exercem esses efeitos são ainda desconhecidos, porém podem envolver a modificação do pH, atividade antagonista sobre patógenos, competição com patógenos, efeito de barreira no intestino, produção de enzimas, síntese e aumento da disponibilidade de nutrientes, estímulo de células imunomodulatórias etc.

As espécies de Lactobacillus e Bifidobacterium são as mais comumente utilizadas como tal. Além destas, o Saccharomyces cerevisae e Bacillus também podem ser utilizadas como probióticos.

As bactérias produtoras de ácido lático são Gram positivas, se caracterizam por produzir ácido lático a partir de carboidratos, sendo úteis para a fermentação de alimentos. Neste grupo podem ser incluídas as espécies de Lactobcillus, Lactococcus e Streptococcus thermophilus. Apresentam a forma de cocos, coco-bacilos ou bastonetes com as seguintes características: baixo conteúdo de G+C (< 55 mol%), ácido-tolerantes não esporulados, são fastidiosos, e microaerófilos. O Bifidobacterium não produz a fermentação de alimentos e é taxonomicamente diferente das outras bactérias produtoras de ácido lático.

Alguns outros micro-organismos também podem ser incluídos como probióticos como alguns bacilos esporuladores e algumas cepas de E. coli.

Os produtos mais conhecidos de probióticos são os produtos lácteos e os alimentos fortificados, porém a cada dia tem surgido no mercado, na forma de comprimidos, cápsulas e sachês que contêm bactérias na forma liofilizada.

De acordo com Martinez-Villaluenga, o menor limite que foi estipulado para um alimento ser considerado probiótico é de 106 Unidades Formadoras de Colônias por grama ou mL.

Os ensaios preconizados são a quantificação dos probióticos, a resistência ácida e a tolerância aos sais biliares.

 

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