Por Milena Tutumi

Sistema de MS da PerkinElmer: oferece informações analíticas que as técnicas convencionais não permitem

A espectrometria de massas (MS) é uma das técnicas mais versáteis do mercado, oferecendo melhor especificidade, exatidão e sensibilidade no desempenho analítico para determinação de uma ampla gama de moléculas. A possibilidade de se trabalhar em diferentes tipos de matrizes biológicas também faz com que ela seja cada vez mais utilizada em análises clínicas, com um enorme potencial de crescimento nas rotinas laboratoriais.

Tradicionalmente, os laboratórios de análises clínicas utilizam métodos como Elisa ou colorimetria para a maioria dos ensaios, mas, para muitos, essas já estão sendo consideradas técnicas rudimentares frente à precisão de uma análise efetuada em um espectrômetro de massas acoplado a um cromatógrafo líquido (LC/MS). Os imunoensaios também possuem algumas limitações, pois estão mais suscetíveis a interferências que podem resultar em falsos-positivos, uma situação totalmente descartada no caso de uma análise realizada por espectrometria de massas.

Conhecidas como gold standard, essas técnicas hoje são muito utilizadas por grandes laboratórios e pelos laboratórios de apoio, que tendem a buscar o uso da MS para aumentar a gama de análises e melhorar a produtividade.

Além dos sistemas oferecerem mais automação, a sensibilidade em analisar urina, sangue, saliva e cabelo, por exemplo, traz ganhos incomparáveis. “De vitaminas a aminoácidos e hormônios, os compostos a serem determinados são os mais diversos”, pontua Marcelo Anselmo, Especialista de Produto para Espectrometria de Massas da PerkinElmer. “Um espectrômetro de massas permite o monitoramento de 20 a 30 espécies químicas em uma única injeção, detectando moléculas mesmo em baixas concentrações nas matrizes”, destaca.

Retorno garantido

Robustez e forte presença em serviços são os destaques da Waters, que disponibiliza a família Xevo em MS

Ainda que os custos aqui no Brasil sejam considerados relativamente altos para a instalação de um sistema de LC/MS, não são somente os “grandes” que podem se beneficiar com a técnica. Dependendo da demanda, os laboratórios pequenos e médios podem fazer esse investimento com base em um cálculo de retorno que, geralmente, apresenta resultados positivos e justificáveis a longo prazo, visto os ganhos oferecidos pelos equipamentos em seletividade, diminuição do número de etapas de preparo de amostra, menor volume de reagentes utilizados e análises mais rápidas devido à maior automação dos equipamentos.

“Dificilmente um equipamento ficará ocioso e não trará o retorno esperado”, destaca André Montenegro, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da Waters Technologies do Brasil. O executivo explica que o mesmo equipamento pode ser utilizado para diferentes demandas: “Se um laboratório utiliza 40% da capacidade do sistema com análises de hormônios, é possível utilizar os outros 60% com uma metodologia para Vitamina D, que é muito solicitada hoje em dia”, exemplifica.

Com investimentos na ordem de R$ 3 milhões, o Laboratório Sabin é um dos que equipou recentemente seu parque de máquinas com um sistema de espectrometria de massas para a área de hormônios esteroides. Segundo a Dra. Graciella Martins, Gerente do Núcleo Técnico Operacional, para esse início o equipamento será utilizado na quantificação dos compostos DHT, 17OH Progesterona, DHEA, renina e aldosterona, estrona e vitamina D. “A escolha foi feita para determinar concentrações mais baixas em relação às detectadas pelos imunoensaios, sem interferências”. O laboratório que alocará o equipamento foi inaugurado no final de 2016 e foi todo concebido para receber esse maquinário de ponta. Atualmente por lá já trabalham com um sistema HPLC para análises toxicológicas.

Com uma média de 7,3 mil análises realizadas mensalmente em espectrometria de massas, o Grupo Hermes Pardini foi um dos pioneiros a estabelecer o sistema LC/MS em sua rotina trabalhando com a técnica desde 2005 no setor de Bioequivalência e em rotina no setor de Toxicologia desde 2011, totalizando 10 exames oferecidos (ver box).

Preparo de amostras e mão-de-obra qualificada

Pardini: grupo foi um dos pioneiros a implementar MS em sua rotina. Foto: Leo Lara

A utilização dos espectrômetros de massas nos laboratórios de análises clínicas teve início por volta do ano 2000. De lá para cá os equipamentos evoluíram consideravelmente, tornando-se muito mais automatizados e simplificando as rotinas, mas o papel do analista na preparação das amostras é fundamental para o sucesso da análise.

Além de ter conhecimento sobre os conceitos da técnica, é preciso o raciocínio correto para o melhor tipo de preparo e aproveitamento da amostra. O início de um trabalho com a técnica exige uma tarefa mais manual, mesmo com a automação dos equipamentos. “O tempo da análise pode ser mais rápido, mas o preparo de amostra talvez seja mais demorado. É preciso ter um profissional capacitado à frente”, observa André Montenegro, da Waters.

A opinião de que ainda as universidades não capacitam devidamente os profissionais para esse trabalho é uma constante, cabendo assim às empresas esse papel de desenvolver o profissional na área. Infelizmente, a escassez de expertise técnica para obtenção da produtividade máxima do equipamento é apontada por Andréia Coutinho de Miranda Vidal, Coordenadora do Setor de Toxicologia do Grupo Hermes Pardini, como uma das dificuldades em se trabalhar com MS nos laboratórios clínicos.

Afora a questão da mão-de-obra e os altos custos de reagentes, manutenção de equipamentos e dos sistemas, citados como agravantes para o estabelecimento de sistemas de MS, há um aumento considerável da sua utilização devido à maior confiabilidade analítica. Na PerkinElmer, em torno de 10% de seus clientes atuam na área de análises clínicas. O especialista Marcelo Anselmo explica que há uma crescente busca pelos equipamentos em nutrologia e testes neonatais, como o teste do pezinho expandido. Hoje as maiores demandas são nas classes de hormônios e vitaminas, e André Montenegro, da Waters, também aponta a metabolômica como uma forte tendência a se beneficiar com a técnica nas rotinas clínicas.

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