No início da apresentação destas colunas que são separadas por capítulos formando uma série, foi demonstrado o macro desafio que atualmente se apresenta aos laboratórios clínicos. No passo seguinte é colocada uma proposta de solução e introduzida a teoria que fundamenta esta proposta, sendo de imediato detalhado um método para aplicação nas empresas. A presente coluna continua na lógica de viabilizar a referida aplicação teórica na prática, considerando que para implantar um Sistema Integrado de Gestão – SIG, devemos usar um conjunto de ferramentas especiais, exigido para esta finalidade. Esta coluna conclui o assunto que é importante para a gerencia dos processos, o qual por sua vez é a base do controle de qualquer organização.

Nas colunas passadas tratamos das seguintes ferramentas: 1- Diagrama de Pareto; 2- Diagrama de causa e efeito (diagrama de Ishikawa ou espinha de peixe); 3- Histograma e 4- Folha de verificação. Veremos agora a 5- Diagrama de dispersão; 6- Carta de controle e 7- Fluxograma.

5 – Diagrama de dispersão

Descrição sintética: gráfico que representa uma possível relação entre duas variáveis. Utilização: verificar o que acontece com uma variável quando a outra muda. O objetivo é determinar se duas variáveis estão relacionadas, tipo e grau desta relação. Generalidades: no processo de análise de dados muitas vezes é necessário o estudo de duas variáveis correspondentes. Por exemplo, testar a relação entre a velocidade e o número de acidentes ou, entre peso e altura das pessoas, ou ainda, entre o nível de ruído em uma sala e o número de erros de digitação. Nestas análises é importante observar se as duas variáveis do estudo não estão fortemente correlacionadas a uma terceira, que no fundo, pode ser a verdadeira causa da variação entre ambas. Quanto menor for a dispersão dos dados em torno da linha diagonal de regressão, maior será o grau de correlação entre as variáveis e, se esta linha diagonal for uma reta a quarenta e cinco graus do eixo das abscissas (X), mostra que para cada unidade de variação de um dos parâmetros, o outro varia na mesma proporção. Atenção, o diagrama de dispersão verifica se duas varáveis estão relacionadas, porém não pode provar se existe uma relação de cause e efeito. Esta ferramenta é utilizada de forma bastante integrada com o diagrama de causa e efeito, na análise de processos. Normalmente o eixo das ordenadas (Y) corresponde a medidas de resultados de um indicador de desempenho (item de controle de um processo) e o eixo X corresponde a medidas de resultados de indicadores de desempenho de causas deste processo (itens de verificação). Por exemplo: número de peças produzidas e número de peças defeituosas, número de visitas no mês anterior e número de vendas efetuadas, número de entregas atrasadas e número de reclamações, consumo de combustível e velocidade.

6 – Carta de controle

Descrição sintética: é um gráfico sequencial onde são estabelecidos limites de controle (superior e inferior). Estes são baseados em estimativas estatísticas do nível de variação dos processos e são úteis para identificar causas especiais de variação dos processos. Utilização: empregada para determinar se um processo produzirá produtos ou serviços com propriedades mensuráveis e consistentes (controladas). As cartas de controle são usadas para mostrar as tendências dos pontos de observação dos resultados dos processos em um período de tempo. Os limites de controle são calculados aplicando-se fórmulas estatísticas simples aos dados do processo. Quando associados às especificações contratadas com os clientes, permitem avaliar se um determinado processo é capaz ou não. É válido ressaltar que um mesmo processo, com uma determinada variabilidade (limites de controle), pode ser capaz de atender as especificações de um cliente, sendo seus resultados, portanto, aceitáveis e, não ser capaz de atender as especificações (mais severas) de um segundo cliente, produzindo, neste caso, resultados (produtos) inaceitáveis. No entanto, o processo continua o mesmo. A sua capabilidade vai depender das exigências contratadas de cada cliente. Generalidades: Cada processo possui uma taxa particular de variabilidade e limites naturais que lhe são inerentes (limites de controle). Tais limites somente são alterados quando alguma ação é tomada sobre as causas. A capacidade do processo irá depender dos limites de controle, superior e/ou inferior (LCS/LCI). Em síntese: os limites de controle são inerentes a cada processo e a capacidade dos processos dependerá dos limites de controle. Já os limites de especificação (LSE/LIE) não são inerentes aos processos, mas decorrem das aspirações dos clientes, dos contratos acordados com estes clientes. Quando a variação de um processo (limites de controle) cabe dentro das especificações do cliente (limites de especificações), o processo tem capabilidade, ou seja, é capaz de atender os requisitos contratuais e está sob controle. Os limites de controle são especificados em três desvios-padrão acima e abaixo da média, estando o processo em análise sob controle ou não. A carta controle permite ao usuário monitorar e melhorar o desempenho do processo ao longo do tempo, estudando as variações e suas fontes, identificando causas, propondo e implantando ações corretivas.

7 – Fluxograma
Descrição sintética: representação gráfica dos passos de um processo. É uma ilustração sequencial de todas as etapas do processo, mostrando como cada etapa é relacionada. Utiliza símbolos facilmente reconhecidos para denotar os diferentes tipos de operações e decisões alternativas do processo. Utilização: permite uma visão global do processo de elaboração de um produto. Permite analisar limites e identificar o caminho ideal para um produto ou serviço com o objetivo de identificar os desvios. Em suma, o fluxograma é usado para identificar as operações constantes de um processo e suas alternativas. Ainda, para examinar o processo atual acompanhando todas as ações realizadas, visando avaliar possibilidades de aprimoramento. Finalmente, serve para expor a terceiros um determinado processo, mediante suas operações. Generalidades: o fluxograma objetiva mostrar de forma descomplicada o fluxo das informações e elementos, além da sequência operacional que caracteriza o trabalho (processo) que está sendo executado.

Resumo

Nas colunas anteriores foram analisados diversos fatores presentes no universo das análises clínicas, onde se identificou aspectos tais como: a) importância de um laboratório clínico implantar um sistema de gestão profissional visando enfrentar os imensos desafios dos tempos atuais, tornar-se competitivo e ser rentável para os seus acionistas. b) a solução sugerida foi adotar um Sistema Integrado de Gestão (SIG), como decisão para um futuro inteligente. c) após, apresentou-se um referencial teórico sintético sobre o SIG. As últimas colunas evidenciam que para implantar um SIG, necessitamos de um método e das ferramentas adequadas para atingir o objetivo proposto. Foi escolhido e detalhado o método (PDCA/MASP) e as principais ferramentas por ele utilizadas na implantação do SIG. Ainda, este sistema é fundamentado nos princípios da gestão pela qualidade total (TQC/GQT) e, as ferramentas selecionadas foram: 1- Diagrama de Pareto; 2- Diagrama de causa e efeito (diagrama de Ishikawa ou espinha de peixe); 3- Histograma; 4- Folha de verificação; 5- Diagrama de dispersão; 6- Carta de controle; 7- Fluxograma. Finalmente, toda a equipe que forma a força de trabalho do laboratório clínico deve saber utilizar estas ferramentas e serem exímios solucionadores de problemas, através do conhecimento da análise de processos. Reiteramos que a nossa intenção é mostrar o que fazer, a razão de fazer e como fazer diretamente nas suas organizações.

Na próxima coluna vamos tratar do Sistema de Gestão Custo Certo – SGCC. Até lá pessoal e que Deus vos acompanhe!

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Humberto Façanha
Publicado por Humberto Façanha

Atualmente é diretor da Unidos Consultoria e Treinamento e professor da Pós-Graduação em Análises Clínicas do curso de Biomedicina – Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (IESA). Professor do Centro de Pós-Graduação da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas – CPG/SBAC. Mestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Engenheiro Eletricista pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Engenheiro de Segurança do Trabalho pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Especialista em Engenharia de Análise e Planejamento de Operação de Sistemas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG/ELETROBRAS), formação em gestão da qualidade e Auditor Líder em ISO 9000. Contatos: humberto@unidosconsultoria.com.br e hfcfunidos@yahoo.com.br

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