Em outubro de 2011 o Brasil possuía 371.788 médicos ativos, distribuídos em 53 especialidades médicas reconhecidas pelo CFM. Destes, 1.148 são médicos Patologistas Clínicos com título de especialistas obtido em concurso promovido pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, a SBPC/ML.

Reconhecida pelo MEC em 1977 como especialidade médica e representada pela SBPC/ML desde 1944, ainda como área de atuação, a especialidade possui um papel fundamental no setor de saúde e na assistência e segurança do paciente, uma vez que 70% das decisões clínicas são pautadas em resultados de exames, que em conjunto com outras especialidades médicas dedicadas a complementação diagnóstica, como a Radiologia e Imagem e Anatomia Patológica, movimentam cerca de 15 mil empresas atuantes no país e mais de R$ 20 bilhões de receitas anuais.

O foco de atuação do especialista em Patologia Clínica/Medicina Laboratorial abrange as 3 bem definidas fases do fluxo laboratorial: fase pré-analítica, auxiliando os médicos assistentes na indicação dos exames necessários para o diagnóstico correto de cada um dos pacientes avaliados, além da garantia da qualidade dos processos de coleta e transporte das amostras biológicas; fase analítica, na definição das metodologias ideais para cada tipo de exame e na garantia da qualidade dos testes realizados; na fase pós-analítica, elaborando laudos os resultados obtidos e auxiliando os médicos assistentes na interpretação clínico-laboratorial, com benefício direto aos pacientes e, finalmente, atuando na visão sistêmica sobre este fluxo, na gestão dos processos e dos sistemas de acreditação, como o PALC – Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos, da SBPCML. Nesta atuação contamos com uma equipe multiprofissional, conjuntamente com biomédicos, biólogos, bioquímicos, técnicos e enfermeiros, além de médicos de outras especialidades afins.

O valor da atuação do especialista em Patologia Clínica/Medicina Laboratorial destaca-se, principalmente, nas exceções clínicas, isto é, na atuação direta em conjunto com o médico assistente nos casos de maior dificuldade diagnóstica que envolve exames laboratoriais de maior complexidade e também no gerenciamento do uso de forma otimizada dos recursos: o exame certo para o paciente certo no momento certo, um ponto crítico na economia da saúde brasileira onde os recursos são escassos, os valores de remuneração congelados e as demandas sempre crescentes.

Outros importantes campos de atuação para o especialista comportam a Indústria de Diagnósticos, com abrangência desde as pesquisas e estudos ao acesso ao mercado e a avaliação de novas tecnologias e o campo acadêmico, na pesquisa básica e na formação de novos especialistas, onde contamos com 28 vagas de residência médica nas principais universidades e instituições privadas do país.

Representamos, ainda, uma pequena proporção dos profissionais de saúde no Brasil, 0,56% dos médicos em atividade. Aspectos de mercado e o ciclo não virtuoso que possuímos no sistema de saúde como um todo pressionaram para uma menor procura desta especialidade nos últimos anos, mas o rápido avanço tecnológico e a necessidade de uma visão permeando as áreas clínicas e técnicas, especialmente nos casos críticos, direcionarão esforços naturais para que a Patologia Clínica/Medicina Laboratorial avance e gere o valor adequado aos nossos pacientes, modificando este quadro em um curto espaço de tempo.

Parabenizo a todos os nossos especialistas e colegas pelo dia do médico e convido a todos a conhecer mais nossa especialidade.

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Gustavo Campana
Publicado por Gustavo Campana

Gustavo Campana é médico especializado em Patologia Clínica/Medicina Laboratorial com MBA em Gestão de Saúde. Atua na Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial - SBPC/ML como diretor de comunicação para o biênio 2014/2015. E-mail para contato: diretorcomunicacao@sbpc.org.br

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