O uso cada vez maior de semicondutores na vida humana diária trouxe uma onda de novos materiais com ampla gama de aplicações tecnológicas

Nos últimos anos a sociedade anos tem investido fortemente em pesquisa visando à obtenção de agentes bactericidas eficientes. Neste sentido, os pesquisadores do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), sediado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), publicaram na revista Scientific Reports, do grupo Nature, no qual comunicam o desenvolvimento de uma nova técnica de obtenção de nanocompósitos complexos formados por nanopartículas de prata metálica acopladas no cristal do semicondutor de tungstato de prata, ampliando a capacidade bactericida em comparação a compostos já existentes.

O trabalho é resultado de um projeto de cooperação internacional no âmbito do CDMF, formado por grupos de pesquisadores da UFSCar, UNESP,  University Jaume I (UJI), Espanha, e da University of Liberec ,República Tcheca. O CDMF é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiados pela FAPESP e também recebe investimento do CNPq, a partir do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN).

O uso cada vez maior de semicondutores na vida humana diária trouxe uma onda de novos materiais com ampla gama de aplicações tecnológicas. Em particular, uma das famílias de semicondutores que mais tem atraído a atenção é a família de óxidos de tungstênio ternários, como os tungstatos metálicos (com a fórmula geral MWO4), que são uma classe de materiais funcionais com propriedades tanto para a ciência básica, quanto por ter muitas aplicações potenciais em muitos campos.

O diretor do CDMF e autor do artigo, Elson Longo, explica que o novo processo de síntese foi  a irradiação de luz na superfície do semicondutor em tempo extremamente curto, isto é, em femtosegundos (10 -15 segundos). Esta técnica permitiu a saída de prata do semicondutor formando na sua superfície nanopartículas de prata. “Este composto tungstato de prata com prata metálica, quando aplicado a uma colônia de bactéria, mostrou-se altamente bactericida. Este resultado, comparado aos compostos já existentes, teve um desempenho de 32 vezes melhor”, enfatiza Longo.

Desta forma, a interação entre o semicondutor e a radiação por laser pulsado em femtosegundos abriu possibilidades da obtenção de compostos bactericidas de alto desempenho e de fácil  fabricação.

A Profa. Dra. Maria Zaghete Bertochi, do Instituto de Química da Unesp, Campus de Araraquara, diretora de Pesquisa do CDMF, enfatiza que desenvolver pesquisa de ponta é uma das metas do CDMF. “O desenvolvimento do conhecimento em áreas de vanguarda é a grande ferramenta do desenvolvimento nos tempos atuais. Com uma equipe de pesquisadores com larga experiência na área de síntese e processamento de materiais funcionais, o CDMF tem gerado resultados inovadores divulgados por revistas conceituadas como Science e Scientific Reports”, pontua.

De acordo com a coordenadora, a infraestrutura do CDMF associada à larga experiência em materiais nanométricos tem contribuído diretamente com o avanço da ciência na área de saúde pública no combate a contaminação hospitalar, preservação de alimentos e saúde bucal que geram danos irreparáveis a pessoas e um grande ônus à rede pública. “O aumento em 32 vezes da eficiência bactericida deste material, em relação ao conhecido, indica seu potencial no possível combate a doenças causadas por bactérias. Temos a ressaltar que o uso de radiação laser com a técnica de femtonsegundos na preparação de materiais bactericida conta com outra ferramenta extremamente valorizada pelo CDMF, que é a cooperação internacional com grupos mundialmente reconhecidos em áreas como saúde, energia e meio ambiente”, finaliza. Com informações da Unesp

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agentes bactericidas, nanopartículas

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