A pesquisa foi publicada em revistas internacionais  e rendeu convites este ano para ser apresentada na 8ª Conferencia de Microbiologia Clínica em Paris-França

Ao todo 591 crianças participaram da pesquisa. Foto: Divulgação

A pesquisa conduzida pela pesquisadora em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-RO) e diretora Científica do Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (Cepem/Sesau), Najla Benevides Matos, evidenciou a circulação dos vírus causadores de diarreia infantil: rotavírus (RVA), adenovírus (HAdv) norovírus (NoV) e astrovírus (HAstV) entre a população pediátrica de Porto Velho, onde segundo dados do IBGE 2015 a taxa de mortalidade é de 13,36 mortos a cada mil nascidos vivos. A identificação dos vírus, explica a pesquisadora, possibilita o desenvolvimento de vacinas específicas para combater a doença.

A pesquisa foi publicada em revistas internacionais Arch Virol. 2014 May;159(5):1139-42, Mem Inst Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Vol. 110(2): 215-221, e rendeu convites este ano para ser apresentada na 8ª Conferencia de Microbiologia Clínica em Paris-França.

‘‘Outros estudos já tinham sido realizados em Porto Velho para identificação de rotavírus e adenovírus, mas esse é o primeiro estudo em Rondônia que mostra a incidência e prevalência não só desses vírus, mas de dois outros circulantes na nossa região, que é o norovírus (NoV) e astrovírus (HAstV), como causadores das diarreias infantis. Isso permite que o prognóstico, diagnóstico e até uma terapia direcionada possa ser feita’’, considera a pesquisadora.

Ao todo 591 crianças participaram da pesquisa. ‘‘Nós tivemos uma incidência muito alta de rotavírus e tendo como segundo vírus mais prevalente o norovírus. O interessante é que em 2006 foi introduzida uma vacina contra uma cepa circulante do rotavírus e foi percebido que houve sim uma diminuição dos casos de diarreia infantil, mas nós temos crianças que ainda são acometidas com o rotavírus de outro genótipo circulante na nossa região. Esse trabalho já foi citado por outros artigos internacionais e coloca Rondônia dentro do contexto da pesquisa referenciada’’, revela.

Amostras fecais de crianças menores de seis anos de idade hospitalizadas no Hospital Infantil Cosme e Damião, localizado em Porto Velho e referência no Estado de Rondônia, foram coletadas e testadas no período de fevereiro de 2010 a fevereiro de 2012. A iniciativa foi contemplada e apoiada pelo Programa Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS) do Ministério da Saúde (MS) e com contrapartida do governo de Rondônia através da Fundação Rondônia de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa (Fapero).

A pesquisa ainda mobilizou estudantes de iniciação científica de graduação, pós-graduação e contou com o apoio do Hospital Infantil Cosme e Damião e traz uma importante contribuição para o enfrentamento da doença. ‘‘Essas amostras eram processadas e identificadas no laboratório do Cepem e posteriormente eram realizadas as caracterizações dos agentes etiológicos tanto virais quanto bacterianos. Uma vez feita essa caracterização, nós enviamos um relatório dando o retorno para o hospital do que estava acontecendo e publicamos artigos que trarão impacto não só para Rondônia e o Brasil, mas também para o mundo no contexto de mostrar o perfil dos vírus e bactérias responsáveis pela diarreia infantil na região Norte do Brasil’’, avalia.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a diarreia é a segunda principal causa de morte entre crianças abaixo dos cinco anos de idade. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, 2015), uma criança morre em decorrência da diarreia por segundo. Em Rondônia, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de mortalidade infantil é de 20,38 a cada 1.000 nascidos vivos.

São vários os microrganismos que causam as diarreias infantis, como o caso de várias bactérias e vírus. De acordo com a pesquisadora, a identificação dos patógenos virais ou bacterianos que estão circulando no Estado permitem que sejam desenvolvidas vacinas específicas para a necessidade da região. Também é possível verificar qual vírus diminui e qual tem se expandido.

Reduzir as mortes causadas por diarreias, que são doenças evitáveis, faz parte da agenda 2030, resultado do trabalho conjunto de governos e cidadãos para o desenvolvimento sustentável no mundo. Uma missão que precisa andar alinhada com as pesquisas de ponta. ‘‘Um país sem pesquisa anda para trás. O Brasil, Rondônia precisa apostar e investir nas pesquisas para fazer o melhor para nossa região. As pesquisas que fazemos nos dão um retorno rápido através do diagnóstico preciso e a longo prazo com a introdução de novas vacinas e medicamento direcionados ao que temos atualmente’’, avalia a pesquisadora.

O Laboratório de Microbiologia o qual a Drª. Najla  é responsável não só traz novas descobertas para o enfrentamento da diarreia infantil com notoriedade internacional, mas também desenvolve estudos com a sua equipe de pesquisa sobre a bactéria Streptococcus agalactiae, que acomete mulheres grávidas e precisa ser tratada antes do nascimento da criança e identificação e caracterização dos enteropatógenos isolados de pacientes com HIV/Aids.

Conduz ainda o projeto sobre o saneamento básico com foco nos efluentes hospitalares. “Todas as pesquisas realizadas tem envolvido alunos de graduação e de pós-graduação e assim formado recursos humanos qualificados em Rondônia”. Segundo a pesquisadora todas as iniciativas tem recurso garantido e são financiadas pelo PPSUS através da Fapero. Com informações da SECOM/Gov-RO

Tags:

adenovírus, astrovírus, diarreia infantil, Fundação Oswaldo Cruz, norovírus, Rotavírus

Compartilhe: