Patrícia Brasil é também a segunda sul-americana e a quarta mulher a receber o prêmio.

Por reconhecer a trajetória acadêmica e a relevância do projeto “A história natural da infecção por zika durante a gestação”, a Fondation Christophe et Rodolphe Mérieux e o Institut de France conferiram à pesquisadora brasileira Patrícia Brasil, chefe do Laboratório de Doenças Febris Agudas do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Prêmio Científico Christophe Mérieux 2018. A solenidade de entrega acontecerá no próximo dia 30 de maio, em Paris.

Desde 2007 quando essa premiação científica anual foi instituída, é a primeira vez que um cientista brasileiro é escolhido para receber a honraria, que apoia exclusivamente a pesquisa de doenças infecciosas em países em desenvolvimento. Patrícia é também a segunda sul-americana e a quarta mulher a receber o prêmio.

As candidaturas concorrentes foram avaliadas por um júri constituído pelo secretário permanente da Academia Francesa de Ciências, especialistas membros da academia e de instituições externas. Além do currículo do pesquisador e do projeto apresentado, essa avaliação leva em conta ainda realizações anteriores, estudos em andamento, a lista das dez publicações científicas mais relevantes em que publicou artigos, razões que justificassem a candidatura, além de duas cartas de recomendação de instituições externas.

Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Patrícia Brasil fez residência médica em Doenças Infecciosas e Parasitárias no Hospital do Servidores do Estado e doutorado em Biologia Parasitária no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Em 1992, pelo Programa de Cooperação em AIDS entre Brasil e França, foi para Paris para treinamento no Diagnóstico de Doenças Oportunistas e Micológicas em HIV. Durante um ano, trabalhou no Laboratório de Parasitologia et Micologia do Hospital Saint Louis; e, na Université Paris VI, fez o curso “Patologia e Imunologia Parasitária”, correspondente ao mestrado. De volta ao Rio de Janeiro, reiniciou carreira como infectologista do Instituto Estadual de Infectologia de São Sebastião, Rio de Janeiro, onde permaneceu até 2004. Em 2006, ingressou na Fiocruz como pesquisadora em Saúde Pública no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, onde desenvolveu o Laboratório de Pesquisa Clínica em Doenças Febris Agudas (DFA), e onde atualmente coordena uma equipe de especialistas, em projetos financiados por agências internacionais e brasileiras, com foco em Medicina Tropical, na Vigilância de Doenças Febris Agudas Emergentes e Re-emergentes e no desenvolvimento de protocolos clínicos e treinamento de profissionais da saúde.

Nos últimos nove anos, sua principal área de pesquisa tem sido doenças febris agudas (DFA), com foco centrado em dengue e malária até 2015, quando foi identificada uma epidemia de uma nova doença exantemática, posteriormente identificada como a infecção pelo vírus Zika. Ao mesmo tempo, uma coorte prospectiva para a vigilância da dengue em pares de mães e bebês, estabelecida desde 2012 em Manguinhos, comunidade carente do Rio de Janeiro, teve o seu estudo adaptado para possibilitar também o rastreamento da infecção pelo vírus zika, devido à hipótese de associação entre o surto de zika e o surto de microcefalia no nordeste, no final de 2015. Esta coorte permitiu iniciar um estudo prospectivo de arboviroses, cuidadosamente conduzido nessa população, dando origem à principal linha de pesquisa à que se dedica na atualidade.

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Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Patrícia Brasil, Prêmio Científico Christophe Mérieux 2018

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