No início da apresentação destas colunas que são separadas por capítulos formando uma série, foi demonstrado o macrodesafio que atualmente se apresenta aos laboratórios clínicos. No passo seguinte é colocada uma proposta de solução e introduzida a teoria que fundamenta esta proposta, sendo de imediato detalhado um método para aplicação nas empresas. A presente coluna continua na lógica de viabilizar a referida aplicação teórica na prática, considerando que para implantar um Sistema Integrado de Gestão – SIG, devemos usar um conjunto de ferramentas especiais, exigido para esta finalidade. Esta coluna e as próximas vão buscar aprofundar, na medida do possível, este assunto que é importante para a gerencia dos processos, o qual por sua vez é a base do controle de qualquer organização.

Na coluna passada tratamos da primeira ferramenta: 1- Diagrama de Pareto. Agora veremos a segunda ferramenta “2- Diagrama de causa e efeito (diagrama de Ishikawa ou espinha de peixe) ”, a terceira “3- Histograma” e a quarta “Folha de verificação”.

2 – Diagrama de Causa e efeito (diagrama de Ishikawa ou espinha de peixe)

Descrição sintética: gráfico em forma de espinha de peixe que expressa de forma simples e direta, a série de possíveis causas para a ocorrência de um problema (ou fatores causais dos resultados de um processo). As causas são, em última análise, problemas menores que concorrem para o problema maior. Este é colocado na cabeça do peixe. Utilização: pesquisar, de forma metódica, a maior quantidade possível de causas potenciais a serem analisadas para solucionar posteriormente o problema. Dito de outra forma é uma ferramenta usada para organizar as causas potenciais que produzem um efeito observado. Generalidades: este diagrama também é chamado “gráfico espinha de peixe” por causa de sua aparência ou diagrama de Ishikawa, em homenagem ao homem que a desenvolveu em 1943, na Universidade de Tóquio e popularizou o seu uso no Japão pós-guerra. A ferramenta dispõe de uma linha horizontal central (coluna vertebral do peixe) com ramos principais (espinhos/costelas do peixe) para exibir as principais possíveis causas de um determinado problema. Ainda, novas linhas podem sair dos ramos principais para mostrar prováveis subcausas (novos desdobramentos) do problema em estudo. De todas as causas possíveis de gerar um determinado problema, normalmente identificadas pela técnica chamada “Brainstorming ou tempestade de ideias”, conduzida de forma livre e estruturada, os gestores com suas equipes, devem selecionar uma ou duas como as prováveis causas (chamada de causas fundamentais) daquele problema específico que está sendo analisado. O passo seguinte é elaborar, com a ferramenta “5W2H”, planos de ação para bloquear estas causas fundamentais. Posteriormente deve ser verificada a eficácia destas ações de bloqueio. Se efetivas, em decorrência, podem ser modificados procedimentos padrões para evitar que o problema ocorra novamente pelas mesmas causas. De uma forma genérica, as principais causas podem ser agrupadas em seis categorias básicas, conhecidas como Seis M’s: Método, Mão de obra, Máquina, Matéria prima, Mensuração e Meio ambiente.

3 – Histograma

Descrição sintética: diagrama de barras que representa a frequência dos dados. É um gráfico que resume a variação dos dados, permitindo observar padrões que dificilmente seriam vistos em uma simples tabela. Utilização: fornece um caminho fácil para avaliar a distribuição dos dados. Se compararmos o histograma de um processo com os limites de especificações contratados com os clientes, é possível determinar se o processo tem a necessária capabilidade, ou seja, se a sua variabilidade (dispersão) está dentro das especificações contratadas.  Generalidades: o desenvolvimento do histograma é creditado a A. M. Guerry, em 1833 que o utilizou em uma análise de dados criminais. Serve para estudar a variabilidade, a dispersão de dados quantitativos, mostrando em um gráfico de barras a distribuição das variáveis, indicando o número de unidades em cada categoria.

4 – Folha de verificação

Descrição sintética: formulário simplificado (tabela, planilha, figura etc.) de coleta de dados, onde o registro e a análise de dados são feitos de forma rápida e simples. Utilização: diversos propósitos, mas a característica comum é facilitar a compilação dos dados, permitindo a utilização e análise de forma rápida. Generalidades: o uso das folhas de verificação economiza tempo, eliminando o retrabalho de se desenhar figuras ou escrever informações repetitivas. São formulários planejados, nos quais os dados coletados são preenchidos de forma fácil e concisa. Registram-se os dados a serem verificados, permitindo uma rápida percepção da realidade e uma imediata interpretação da situação, ajudando a diminuir erros e facilitando a aplicação do método. Mostra a história e o padrão de variações. É uma ferramenta utilizada no início da análise dos processos, para auxiliar na identificação e solução de problemas. Também é utilizada no final para confirmar a eficácia dos resultados das ações tomadas, decorrentes da análise inicial.

Nesta coluna vimos mais três ferramentas utilizadas por um Sistema Integrado de Gestão – SIG, o qual pode proporcionar uma efetiva gestão profissional dos laboratórios clínicos. Estas ferramentas servem para diversos propósitos, sendo um dos principais, o Método de Análise e Solução de Problemas – MASP, basilar para o controle dos processos e, portanto, do laboratório. Na próxima coluna vamos continuar a tratar das “Sete ferramentas da qualidade”, essenciais para a implantação do Sistema Integrado de Gestão – SIG.

Até lá pessoal e que Deus vos acompanhe!

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Humberto Façanha
Publicado por Humberto Façanha

Atualmente é diretor da Unidos Consultoria e Treinamento e professor da Pós-Graduação em Análises Clínicas do curso de Biomedicina – Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (IESA). Professor do Centro de Pós-Graduação da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas – CPG/SBAC. Mestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Engenheiro Eletricista pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Engenheiro de Segurança do Trabalho pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Especialista em Engenharia de Análise e Planejamento de Operação de Sistemas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG/ELETROBRAS), formação em gestão da qualidade e Auditor Líder em ISO 9000. Contatos: humberto@unidosconsultoria.com.br e hfcfunidos@yahoo.com.br

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