Vimos nas colunas (Capítulos) publicadas anteriormente, a descrição de um método para implantar um Sistema Integrado de Gestão – SIG. Esta é uma alternativa de solução para a atual crise enfrentada pelos laboratórios clínicos. O sistema é composto por três níveis de gestão, com exigências diferentes, mas que convergem para a chamada “Garantia da qualidade,” definida pela competência dos laboratórios clínicos em produzir resultados tecnicamente válidos para a sociedade sem, entretanto, deixar de assegurar a competitividade da organização.

O método descrito, empregado pelas organizações na busca do SIG foi o CA – PDCA (C=Check; A=Action; P=Plan; D=Do; C=Check; A=Action – Método de gestão), que contempla um Plano de Implantação de Longo Prazo – PILP, previsto para três a cinco anos de duração, onde são estabelecidos as metas e o método para atingi-las, definindo responsáveis, cronograma e orçamento.

O primeiro nível de gestão do SIG, contemplado no planejamento, trata da inovação e eficácia, abordando a gestão estratégica de longo prazo e foi tratado no capítulo 4, publicado no mês de dezembro de 2014. Neste capítulo de número 5, abordaremos o segundo nível de gestão do SIG, que trata da melhoria contínua, inerente aos processos de cerificações presentes nas normas do sistema de certificação da International Organization Standardization – ISO, com sede em Genebra/Suíça. Trata-se de uma rede de organismos nacionais de normalização, contando atualmente com 163 países membros e mais de 19.500 normas internacionais já publicadas. Foi fundada em 1947 e desenvolve normas internacionais de consenso global visando dar o estado da arte em especificações de produtos (bens, serviços e informações) e boas práticas, ajudando a melhorar a eficiência e a eficácia. Visa quebrar barreiras existentes no comércio internacional. A abreviatura do nome (ISO) vem do grego “isos” que significa “igual”, pois do contrário, conforme a língua do País mudaria a abreviatura do nome do organismo.

No Brasil, a ISO é representada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Nosso interesse fica restrito à Norma ABNT NBR ISO 9001:2008 – Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. Isto não significa que um laboratório clínico não deve se preocupar, por exemplo, com o meio ambiente e atentar-se para a Norma ABNT NBR ISO 14050:2012 – Gestão ambiental – Vocabulário ou, principalmente, a Norma ABNT NBR NM ISO 15189:2008 – Laboratórios de análises clínicas – Requisitos especiais de qualidade e competência. Significa tão somente que iremos usar como exemplo prático de aplicação a Norma ISO 9001, sendo que todas estas normas configuram um nível que representa uma determinada pontuação intermediária, se considerarmos a escala do PNQ. Isto não é um demérito, em hipótese alguma, simplesmente indica propósitos e abrangências diferentes. Tanto é verdade que a Norma ISO 9001 contempla desde requisitos de boas práticas de fabricação até planejamento estratégico, envolvendo todas as etapas do ciclo PDCA de gestão e, no caso da ABNT NBR NM ISO 15189:2008, existem requisitos específicos para a qualificação técnica da produção de exames laboratoriais.

Nestas normas, um aspecto extremamente importante que é abordado, além da padronização dos processos, é a melhoria contínua. (Grifo nosso). Por esta razão é que escolhemos a Norma ISO 9001 para servir de exemplo, não significando isto preferência ou qualquer sugestão de redução no escopo das múltiplas escolhas que o laboratório clínico pode fazer.

Respeitando os propósitos desta coluna (capítulo), evidentemente, não iremos detalhar um método completo para preparar a organização visando obter uma certificação, uma vez que existem empresas especializadas no assunto. Mostraremos somente as etapas contidas em um cronograma, a título de exemplos de como atender os principais requisitos presentes na Norma. Dificilmente um laboratório clínico conseguirá certificar-se sem a contratação dos serviços de uma consultoria externa, especializada nesta matéria. A descrição dos requisitos da Norma é genérica e utiliza termos que os profissionais da saúde normalmente não estão acostumados, tornando a tarefa aparentemente mais complexa do que é na realidade. Isto aliado ao pouco tempo disponível dos profissionais laboratoriais, que estão muito envolvidos com a rotina diária do trabalho, é que torna difícil a missão da certificação sem ajuda externa. Atentar para o fato de que toda a força de trabalho do laboratório já se encontra cumprindo com suas respectivas obrigações laborais e as inúmeras novas exigências para obter e manter a certificação necessitarão esforços extras da equipe.

Já foi dito que certificar uma organização é como trocar a roda de um carro em movimento! Reiteramos que existem diversos caminhos para atender este que é um dos principais desafios da certificação, nossa intenção é somente ajudar, jamais termos a ousadia de querer insinuar qualquer padronização ou solução única de excelência. Em resumo, objetivamos mostrar uma trilha e não construir trilhos.

Dr-Facanha-coluna
(
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No próximo capítulo abordaremos o terceiro nível de gestão do SIG, que trata da competência técnica, eficiência, capabilidade dos processos da produção, inerente às diversas acreditações possíveis para os laboratórios clínicos.

 

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Humberto Façanha
Publicado por Humberto Façanha

Atualmente é diretor da Unidos Consultoria e Treinamento e professor da Pós-Graduação em Análises Clínicas do curso de Biomedicina – Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (IESA). Professor do Centro de Pós-Graduação da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas – CPG/SBAC. Mestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Engenheiro Eletricista pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Engenheiro de Segurança do Trabalho pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Especialista em Engenharia de Análise e Planejamento de Operação de Sistemas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG/ELETROBRAS), formação em gestão da qualidade e Auditor Líder em ISO 9000. Contatos: humberto@unidosconsultoria.com.br e hfcfunidos@yahoo.com.br

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