No início da apresentação destas colunas, que são separadas por capítulos, formando uma série, foi demonstrado o macrodesafio que atualmente se apresenta aos laboratórios clínicos. No passo seguinte é colocada uma proposta de solução e introduzida a teoria que fundamenta esta proposta, sendo de imediato detalhado um método para aplicação nas empresas. A presente coluna insere-se na lógica de viabilizar a referida aplicação teórica na prática. Acontece como no mundo da mecânica, da agricultura, das artes, da engenharia civil e de quase tudo na vida: para cada obra a ser realizada, existe um conjunto específico de ferramentas. Ninguém caça passarinho com canhão e vai à lua de ultraleve! Portanto, para implantar um Sistema Integrado de Gestão – SIG, devemos usar um conjunto de ferramentas especiais, exigido para esta finalidade.

O objetivo da coluna é apresentar as principais ferramentas, não todas, pois isto não é possível em função da disponibilidade de espaço, no entanto, há vasta bibliografia sobre o assunto, que pode ser consultada a qualquer momento. De qualquer forma será necessário mais de uma coluna para sintetizar o tema.

 

Generalidades

Antes de entrarmos no assunto propriamente dito (Ferramentas da qualidade), por uma questão de encadeamento lógico dos itens e, visando facilitar o entendimento dos leitores, vamos enumerar e descrever brevemente os tópicos que estruturam o conceito do Controle da Qualidade Total (CQT ou TQC em inglês). O motivo disto é que o fundamento, o alicerce do SIG é exatamente a gestão pela qualidade total. Passo seguinte, abordaremos a análise de processos, o método de solução de problemas e, finalmente, as sete (7) ferramentas da qualidade, que é o objetivo central da coluna. Desta maneira, teremos uma sequência de temas que formam um conjunto harmônico de gestão.

 

Conceito do TQC

Tópicos que constituem o conceito do TQC: 1- Orientação pelo cliente; 2- Qualidade em primeiro lugar; 3- Ação orientada por prioridades; 4- Ação orientada por fatos e dados; 5- Controle de processos; 6- Controle da dispersão; 7- Próximo processo é seu cliente; 8- Controle a montante; 9- Ação de bloqueio; 10- Respeito pelo empregado como ser humano; 11- Comprometimento da alta direção. A seguir, breve descrição de cada tópico.

Orientação pelo cliente: somente produzir, sejam bens, serviços ou informações, que sejam definitivamente requisitados pelo consumidor.

Qualidade em primeiro lugar: a competitividade deve advir do lucro contínuo decorrente do domínio da qualidade.

Ação orientada por prioridades: onde tudo é prioridade, nada é prioritário. Identificar o problema mais crítico e solucioná-lo prioritariamente.

Ação orientada por dados e fatos: o processo de decidir na organização deve ser auxiliado por dados estatísticos.

Controle de processos: a empresa não deve ser controlada pela inspeção dos resultados dos produtos e, sim, durante os processos produtivos.

Controle da dispersão: analisar cuidadosamente a dispersão dos dados dos processos e isolar (solucionar) a causa fundamental das dispersões.

Próximo processo é seu cliente: cada colaborador responsável por um processo organizacional, não deve aceitar insumos defeituosos e nem repassar resultados inadequados do seu próprio processo. O cliente, seja ele interno ou externo é a razão da existência dos seus fornecedores.

Controle a montante: em suma é produzir conforme as necessidades dos clientes sejam explícitas ou não, controlando os processos durante a realização dos mesmos. Trata-se de agir preventivamente e preditivamente em função do resultado final.

Ação de bloqueio: não permitir que um determinado problema ocorra novamente pela mesma causa.

Respeito pelo empregado com ser humano: uma corrente tem a fortaleza do seu elo mais fraco. A força de trabalho é o fundamento das organizações, portanto, deve ser capacitada, respeitada e ter o seu valor reconhecido.

Comprometimento da alta direção: o exemplo é o melhor dos ensinamentos. O alto comando antes de cobrar resultados deve fazer honestamente à parte que lhe cabe na missão.

Na próxima coluna trataremos da “Análise de processos”; “Método de solução de problemas” e, finalmente, “As sete ferramentas da qualidade”, essenciais para a implantação de um Sistema Integrado de Gestão – SIG. Até lá pessoal e que Deus vos acompanhe!

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Humberto Façanha
Publicado por Humberto Façanha

Atualmente é diretor da Unidos Consultoria e Treinamento e professor da Pós-Graduação em Análises Clínicas do curso de Biomedicina – Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (IESA). Professor do Centro de Pós-Graduação da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas – CPG/SBAC. Mestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Engenheiro Eletricista pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Engenheiro de Segurança do Trabalho pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Especialista em Engenharia de Análise e Planejamento de Operação de Sistemas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG/ELETROBRAS), formação em gestão da qualidade e Auditor Líder em ISO 9000. Contatos: humberto@unidosconsultoria.com.br e hfcfunidos@yahoo.com.br

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