Vimos na coluna publicada em agosto de 2014, que uma alternativa de solução para a atual crise enfrentada pelos laboratórios clínicos é a implantação de um Sistema Integrado de Gestão – SIG. Sabemos que uma outra alternativa é aquela que decorre fundamentalmente do aumento dos preços pagos pelos clientes. Esta é de improvável ocorrência, entretanto, já existe uma tênue esperança proporcionada pela Lei Federal N0 13.003 de 24 de junho de 2014, na qual o assunto das relações comerciais entre os clientes (convênios/planos de saúde/seguros/etc.) e os prestadores de serviços da área de saúde é regulamentado.

Segundo interpretações, considerando o prazo para a entrada em vigor, acrescido do período do reajuste e da prorrogação legal prevista, os efeitos práticos desta Lei nas receitas dos laboratórios clínicos só ocorrerão em 2016. Então, fora disto, sobra o ganho de escala e a competência de uma gestão profissional, espaço no qual se insere o SIG. Este é composto por três níveis de gestão, com exigências diferentes, mas que convergem para a chamada “Garantia da qualidade” definida pela competência dos laboratórios clínicos em produzir resultados tecnicamente válidos para a sociedade, sem, entretanto, deixar de assegurar a competitividade da organização.

Estes níveis são a gestão estratégica de longo prazo, que se vincula à inovação e à eficácia e envolve as empresas com a aplicação dos critérios de excelência de prêmios nacionais, por exemplo, o Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ).

O segundo nível contempla aquelas organizações que empregam o ciclo PDCA de forma habitual para promover a melhoria contínua do sistema de gestão, havendo registros dos resultados dos processos, ações preventivas, corretivas, planos de ação, análises críticas, auditorias e atualização sistemática da documentação decorrente do giro do PDCA. São as empresas com acreditação ou certificação de terceira parte e, em um plano estratégico, estão operando no nível tático.

Finalmente, o terceiro nível de gestão se vincula ao objetivo da empresa em dispor de processos produtivos com capabilidade adequada, sendo competente para fornecer resultados exatos e precisos ao caracterizar a eficiência destes processos produtivos e, em um plano estratégico, estão trabalhando no nível operacional. Laboratórios nesta condição são os acreditados via Sociedades Científicas, por exemplo, pelo Sistema Nacional de Acreditação (DICQ), patrocinado pela Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), ou o Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos (PALC), da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC).

Um método bastante efetivo empregado pelas organizações na busca do SIG é o chamado CA – PDCA, que será demonstrado na próxima coluna a ser publicada no mês de outubro de 2014.

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Humberto Façanha
Publicado por Humberto Façanha

Atualmente é diretor da Unidos Consultoria e Treinamento e professor da Pós-Graduação em Análises Clínicas do curso de Biomedicina – Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (IESA). Professor do Centro de Pós-Graduação da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas – CPG/SBAC. Mestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Engenheiro Eletricista pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Engenheiro de Segurança do Trabalho pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Especialista em Engenharia de Análise e Planejamento de Operação de Sistemas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG/ELETROBRAS), formação em gestão da qualidade e Auditor Líder em ISO 9000. Contatos: humberto@unidosconsultoria.com.br e hfcfunidos@yahoo.com.br

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