Vimos na coluna anterior, que o mercado das análises clínicas mudou drasticamente nos últimos tempos. Para pior. Vários fatores foram citados, sendo dois de suma importância: a socialização da medicina, materializada pela união dos compradores de serviços (convênios, seguros de saúde etc.) e o crescimento vertiginoso da capacidade de produção, materializada pela “forma industrial” de produzir exames, desproporcional à taxa de aumento da demanda no mesmo período. A consequência inevitável foi a queda no valor dos exames, acompanhada de novas variáveis nocivas, tais como a inadimplência de clientes e ações judiciais, fatos que antes praticamente inexistiam.

A principal consequência disto tudo é que a capacidade de sobrevivência dos laboratórios clínicos reduziu na mesma proporção dos lucros. A luta é por lucros unitários “na casa dos centavos” e pelo ganho na escala! Na contramão das receitas, os custos foram inflacionados neste tempo e os laboratórios, ao contrário das empresas em geral, não conseguiram repassar os aumentos dos custos para os preços finais dos exames. Os laboratórios clínicos são alternativas de investimentos, portanto, devem ser rentáveis. Não há mais margem para gestão que não seja a gestão profissional destes empreendimentos. Propomos uma solução para esta situação através da implantação de um Sistema Integrado de Gestão – SIG. Este sistema deverá proporcionar a necessária competitividade, mediante o incremento na produtividade destas organizações.

A gestão na área da saúde segue em geral os princípios da teoria administrativa, no entanto, necessita das adequações pertinentes às particularidades deste ambiente de negócios. O propósito desta coluna, bem como das próximas, é exemplificar de forma prática a aplicação destes princípios aos laboratórios clínicos, mas somente o essencial resumido. Usaremos basicamente o que chamamos de SIG, conforme descrito nos tópicos seguintes.

Um SIG abrange os diversos níveis gerenciais, ou seja, trata de todos os processos de uma organização. Em um laboratório clínico envolve desde a chamada “bancada” até a gestão estratégica de longo prazo. A finalidade última é obter a competitividade tão necessária para assegurar não só a sobrevivência digna, mas também as justas remunerações aos acionistas, pois os laboratórios serão sempre alternativas de investimentos. Para isto ocorrer é necessário, dentre outros requisitos, de uma gerência eficaz e eficiente na qual as decisões sejam tomadas com fundamento em dados e comparações competitivas. Mas, o que significa isto? Ser competitivo é ter a maior produtividade entre os seus concorrentes e gerenciar uma organização significa controlar os seus processos.

Os processos devem ser identificados, cada um rastreado em relação aos seus produtos, quem são os seus clientes e fornecedores e, estabelecidos os indicadores de desempenho (itens de controle e de verificação) nas dimensões pertinentes da qualidade total (Qualidade intrínseca, Custo, Entrega, Moral e Segurança), metas e responsáveis. Ainda, o ciclo PDCA de Gestão deve ser rodado de forma sistemática e permanente.

Os processos devem ser padronizados e ter a documentação alterada em decorrência das inovações e de solução das não conformidades, caracterizando a melhoria contínua destes processos organizacionais ao proporcionar uma situação de efetiva competitividade empresarial. O estado da arte em gestão pode ser modelado pelos requisitos dos critérios que regulamentam os prêmios de qualidade ao redor do mundo. Na próxima coluna trataremos do método de implantação de um SIG.

 

 

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Humberto Façanha
Publicado por Humberto Façanha

Atualmente é diretor da Unidos Consultoria e Treinamento e professor da Pós-Graduação em Análises Clínicas do curso de Biomedicina – Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (IESA). Professor do Centro de Pós-Graduação da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas – CPG/SBAC. Mestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Engenheiro Eletricista pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Engenheiro de Segurança do Trabalho pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Especialista em Engenharia de Análise e Planejamento de Operação de Sistemas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG/ELETROBRAS), formação em gestão da qualidade e Auditor Líder em ISO 9000. Contatos: humberto@unidosconsultoria.com.br e hfcfunidos@yahoo.com.br

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