Vimos na coluna publicada em outubro de 2014 a descrição de um método para implantar um SIG. Este é uma alternativa de solução para a atual crise enfrentada pelos laboratórios clínicos, sendo composto por três níveis de gestão, com exigências diferentes, mas que convergem para a chamada “Garantia da qualidade” definida pela competência dos laboratórios clínicos em produzir resultados tecnicamente válidos para a sociedade, sem, entretanto, deixar de assegurar a competitividade da organização. Um método bastante efetivo empregado pelas organizações na busca do SIG é o chamado CA – PDCA (C=Check; A=Action; P=Plan; D=Do; C=Check; A=Action – Método de gestão).

Inicialmente é feito um diagnóstico (C) do laboratório clínico segundo, por exemplo, os critérios de excelência do Prêmio Nacional da Qualidade – PNQ. Neste diagnóstico são identificados pontos fortes e fracos da empresa, oportunidades de melhoria e a necessidade de ações imediatas (A), de curto prazo para sanar problemas agudos encontrados nesta fase. A seguir é elaborado um Plano de Implantação de Longo Prazo – PILP, previsto para três a cinco anos de duração, onde são estabelecidas as metas e o método para atingi-las, definindo responsáveis, cronograma e orçamento. O plano de implantação de longo prazo (PILP) é realizado sobre três pilares: uma estrutura de recursos humanos – RH (humanware), um método (software) e uma estrutura física (hardware). A estrutura de RH deve ser fundamentada nos princípios da equidade, delegação e participação, materializados, por exemplo, na forma de comitês (Qualidade, integração, 5S’s, participação nos resultados, grupos de solução de problemas, etc.).

O método deve contemplar uma organização definida e gerenciada por processos: cada processo (recepção, coleta etc.) atende o conjunto total de requisitos pertinentes; cada processo é integralmente identificado e parametrizado (clientes, fornecedores, indicadores de desempenho e metas); um único manual de gestão; uma única análise crítica, uma única auditoria; um único SIG, atendendo o rol dos critérios/requisitos da International Organization for Standardization (ISO 9000), da Organização Nacional de Acreditação (ONA), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), da SBAC–DICQ, da SBPC–PALC e outros.

Finalmente, a estrutura física deve ser composta por instalações adequadas às exigências legais, por exemplo, a RDC no. 50, de 21 de fevereiro de 2002 (RDC: Resolução de Diretoria Colegiada, da ANVISA) e equipamentos tecnologicamente capazes de atender aos requisitos de qualidade exigidos dos produtos (laudos). O ciclo PDCA de gestão deve ser rodado de forma permanente para os processos do laboratório clínico: planejar; executar; verificar os resultados; implantar ações corretivas e preventivas, planejar novamente e assim sucessivamente. Na próxima coluna iremos tratar de inovação e eficácia, abordando a gestão estratégica de longo prazo.

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Humberto Façanha
Publicado por Humberto Façanha

Atualmente é diretor da Unidos Consultoria e Treinamento e professor da Pós-Graduação em Análises Clínicas do curso de Biomedicina – Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (IESA). Professor do Centro de Pós-Graduação da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas – CPG/SBAC. Mestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Engenheiro Eletricista pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Engenheiro de Segurança do Trabalho pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Especialista em Engenharia de Análise e Planejamento de Operação de Sistemas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG/ELETROBRAS), formação em gestão da qualidade e Auditor Líder em ISO 9000. Contatos: humberto@unidosconsultoria.com.br e hfcfunidos@yahoo.com.br

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