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Nesta coluna, a especialista discute como o processo de mudança ajuda o desenvolvimento de pessoas e das empresas

Mudar ou não mudar? A resposta não é sim ou não. Na verdade, a resposta correta é quando. Vivemos na era da mudança. Nunca as mudanças foram tão rápidas e necessárias. Todo dia temos alguma novidade, um aplicativo inovador, um serviço que foi aperfeiçoado, uma empresa que entra no mundo dos negócios de forma inovadora, outra que sai de cena porque não soube inovar. E assim, a vida vai mudando.

Bloch apud Brigdes (2015) menciona que a mudança é um fenômeno necessário para evoluirmos. Frase muito sábia que retrata nossos dias atuais. Antigamente, podíamos nascer, viver e morrer sem que nenhuma mudança significativa ocorresse. As empresas viviam tempos estáveis, era sabido o que fazer com o dinheiro, aonde e como gastá-lo. O mesmo ocorria com a carreira, sabia-se qual o próximo degrau a ser alcançado e quanto tempo seria preciso para chegar no topo. E hoje? Como esse tempo de mudança influencia as empresas e as carreiras?

Independentemente da crise, se faz necessário analisar esse fato a fim de evitar frustrações e a tão falada desmotivação.

Uma palavra que combina muito bem com mudança é resiliência. Corner (1995) considera que “a resiliência é a pista principal que permite recompor o mistério da mudança num processo inteligível e gerenciável (p. 56) ”. Partindo desse princípio, reforçamos a resposta de que mudar não é questão de decidir se sim ou não, mas na verdade é quando. As empresas hoje vivem num mundo globalizado e integrado em que a concorrência é acirrada, garantindo ao cliente uma ampla gama de oportunidades e de escolhas. Aliás, essa deveria ser uma palavra de ordem para as empresas, ou seja, pensar em como e o que fazer para ser a escolhida pelo cliente, em obter sua fidelidade e credibilidade. Afinal, uma empresa bem avaliada pelo cliente, garante à mesma a fidelidade também do colaborador, expressa pelo orgulho de fazer parte da instituição. E fazer parte implica em saber onde se está e onde se pode chegar.

Com essa ciranda de inovações, as empresas ainda titubeiam em fazer mudanças. Elas se mostram como as pessoas frente aos obstáculos – não sabem se enfrentam ou esperam tudo acabar. Mudar para o ser humano significa sair da zona de conforto e por si só isso já traz uma porção de inseguranças, medos e até desperta crenças acerca do futuro. Com a empresa não é diferente. Enquanto instituição ela passa pelas mesmas situações, porém de uma forma mais contida. Afinal, existem muitas pessoas que dependem dela (colaboradores, fornecedores, clientes) e não é possível mostrar seus sentimentos. Daí a sensação que os colaboradores têm de que “as coisas estão estranhas” ou que “tem algo acontecendo”. O fato é que a mudança é necessária para poder alcançar os objetivos e traçar novos planos.

E como o colaborador, profissional que atua na empresa, se vê inserido nesse ambiente? A resposta parece óbvia, não é? Ele se sente da mesma forma e muitas vezes não consegue nomear seus sentimentos. Daí a importância de ser resiliente e saber lidar com as situações.

A empresa deve ser resiliente da mesma forma, deve saber se adaptar às novas exigências do mundo, do mercado e até mesmo desse colaborador. O ambiente de mudança deve ser benéfico a ambos de modo que consigam extrair o máximo de aprendizado. É o melhor momento para que reveja e atualize sua cultura organizacional e estimule o colaborador a participar desse processo. Dessa forma, podem surgir novos modelos de atuação frente aos negócios e até mesmo novas perspectivas de carreira para o quadro de colaboradores. Novos cargos podem ser implementados a partir das competências existentes e do fortalecimento de outras. É o momento de buscar inovações tecnológicas e capacitar os colaboradores de modo que a inovação seja incorporada no repertório profissional.

Ao mesmo tempo se faz necessário ter um olhar focado nesse colaborador para que sua ansiedade, preocupação com o futuro e o medo pelo novo sejam trabalhados. Nesse sentido, é interessante investir em Coaching e Mentoring como ferramentas para facilitar o aprendizado e auxiliar a compreensão desse cenário como um todo.

Há alguns poucos anos, uma empresa da área de serviços iniciou seu processo de modernização: investiu “pesado” em máquinas de última geração, contratou o melhor diretor de negócios para trazer novos clientes, um diretor técnico renomado e conhecido no mercado para padronizar e agregar valor aos produtos. O planejamento estratégico foi realizado e divulgado aos demais líderes e tudo ia seguindo seu fluxo. Contudo, ao se monitorar os indicadores da área de Recursos Humanos, a empresa se deparou com algo de extrema importância: ninguém havia contemplado o quesito “pessoas” em todo esse processo. Os indicadores mostraram que as taxas de absenteísmo e turnover estavam muito altas e que não havia o investimento necessário para reter os talentos. Resultado: em pouco tempo, esses números dobraram de valor e a empresa se viu sem mão de obra qualificada e especializada para fazer tudo o que foi informado no planejamento estratégico.

Com esse exemplo, está mais do que claro que iniciar um processo de mudança é algo urgente nas empresas, mas antes disso, é necessário pensar e planejar muito bem todos os passos. É um caminho cheio de percalços, que pode demorar anos até que seja completamente realizado. Contudo, posso garantir que esses desafios serão revertidos em comprometimento, engajamento, respeito e valorização por parte dos clientes, fornecedores e principalmente, dos colaboradores. Para tanto, vale ressaltar que resiliência, é a palavra de ordem que auxiliará e permeará todos os passos a serem dados.

Para consultas:

BLOCK, Vick. Crescendo na tempestade. Crise e transição de carreira. GVExecutive. V14. N2. Jul-Dez 2015.

CONNER, Daryl. Gerenciando na velocidade da mudança: como gerentes resilientes são bem-sucedidos e prosperam onde os outros fracassam. Rio de Janeiro: Infobook, 1995.

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Kelly Casimiro
Publicado por Kelly Casimiro

Kelly Regina Moura Casimiro é psicóloga, Especialista em Gestão de Pessoas pela Fundação Getúlio Vargas e Formação em Coaching, Mentoring e Holomentoring pelo Instituto Holos de Qualidade. Proprietária da Desenvolvere Assessoria e Educação Profissional, com experiência de mais de 10 anos na área de Gestão de Pessoas, ocupando cargo de liderança nos processos de Desenvolvimento e Capacitação. Expertise adquirida em instituições de saúde (hospitais, ambulatórios e laboratórios). E-mail: kelly.rcasimiro@gmail.com

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