Já vai longe o tempo em que as atividades realizadas pelos laboratórios de análises clínicas traziam aos profissionais as compensações inerentes a um trabalho satisfatório, do qual, ao final de uma jornada extenuante de trabalho seria possível voltar para casa com a imensa satisfação do dever cumprido.

E qual seria este dever?
Apenas o de ter o prazer de ver o labor transformado num auxílio fundamental ao diagnóstico clínico, poder ver seu local de atividades cada vez melhor equipado, com todos os preceitos e conceitos de qualidade preservados, clientes satisfeitos, compromissos pessoais e profissionais pagos com toda a pontualidade e os salários pagos e recebidos nas datas corretas.

A importância do estabelecimento laboratorial ser visto como responsável  por 70% das decisões de diagnósticos médicas e 90% dos critérios terapêuticos, pesava significativamente na valorização do estabelecimento laboratorial e, com isto, havia a tranquilidade e a recompensa de se realizar um trabalho de qualidade e que estabelecesse um nível muito razoável de compensações pessoais e profissionais.

Aos poucos as compensações foram trocadas por dificuldades financeiras causadas por congelamento de valores pagos aos laboratórios e uma violenta extorsão tributária.

Não existe mais o que se possa explicar, quando, desde 1994, à época de criação do “plano real”, os valores determinados pelo Ministério da Saúde permaneceram praticamente inalterados e as operadoras de planos de saúde forçaram através de pressão e coerção o rebaixamento de valores. Algumas delas chegaram a estabelecer programas de incentivos aos médicos para não solicitar exames complementares e reduzir as internações hospitalares.

A tudo adicione-se as exigências da ANVISA e das Vigilâncias Sanitárias estaduais e municipais na cobrança dos termos da RDC 302, que apesar de muitas vezes extrapolados, são todos justos, legais e indispensáveis, pois visam à qualificação dos Laboratórios Clínicos. Apenas, na maioria das vezes inaplicáveis em função da ausência de contrapartida de honorários.

A situação deste momento pode ser avaliada e compreendida através deste vídeo, em resposta dada pelo Sr. Ministro da Saúde ao ser questionado pela Senadora Ana Amélia em relação aos valores dos exames laboratoriais pagos pelo SUS.

É fácil tirar a conclusão.

 

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Irineu Grinberg
Publicado por Irineu Grinberg

Irineu Grinberg é ex-presidente da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC). Email: irineugrinberg@gmail.com

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