Cada hospital define um prazo estabelecido para entrega dos resultados, o que leva em conta se o paciente está em pronto atendimento, UTI ou sendo atendido em uma unidade que não requer atendimento emergencial

Por Cristina Sanches

A dinâmica dos laboratórios hospitalares costuma ser bem mais complexa do que no atendimento ambulatorial. Cada instituição tem uma especificidade e uma necessidade, a realização dos exames e a entrega de resultados pede maior agilidade e total controle de qualidade, respeitando-se todas as normas e padrões exigidos. Os laboratórios têm que se preocupar com diferentes prioridades de respostas a serem fornecidas ao hospital, médico e pacientes, pois muitos, em suas rotinas, atendem, além dos exames dos pacientes internados, que incluem os casos de emergência, pronto atendimento, pacientes em unidades de terapia intensiva (UTIs) e centros cirúrgicos, também os ambulatoriais (pessoas não internadas).

A Dasa, por exemplo, possui laboratórios em 160 hospitais privados espalhados pelo Brasil. Não há limitação de exames nessas instituições, mas, em geral, nos hospitais ficam disponíveis os exames críticos, aqueles que determinam conduta terapêutica e que precisam de resultados imediatos. Na maioria das vezes, o portfólio é composto por um grupo de 40 a 50 exames que precisam ser feitos rapidamente em pacientes com quadros agudos, em UTI ou pronto atendimento. “Quanto mais rápido o resultado do exame sair, mais rápido o médico consegue agir. O menu de exames de cada hospital também é alinhado com suas eventuais especialidades: maternidade, oncologia, cardiologia e assim sucessivamente”, explica Leonardo Vedolin, vice-presidente da Área Médica da Dasa. Na Dasa, dos 160 laboratórios instalados em hospitais, cerca de 20% atendem ao público em geral e não só os pacientes internados.

Aline Amorim, gerente sênior de negócios do Grupo Fleury

De maneira semelhante é a atuação do Grupo Fleury, presente em 29 hospitais de todo o país. O mix de exames, nessas unidades, também se diferencia da carteira oferecida ambulatorialmente, com destaque para hemogramas, exames de ureia e de urina e marcadores cardíacos. Aline Amorim, gerente sênior de negócios do Grupo Fleury – responsável pela parceria com hospitais, explica que, no caso de hospitais com portas abertas ao público, o mix de exames é maior, compreendendo os de colesterol, vitamina D e marcadores tumorais, entre outros. “Esse portfólio é definido com base na estratégia de atuação do hospital. Cada contrato é desenhado de maneira individual a fim de que possamos atender a suas necessidades específicas.”

Já o Sabin, que atualmente está presente em 12 hospitais no país, sendo 11 deles direcionados à área de análises clínicas e um relacionado a diagnóstico por imagem, atua de maneira um pouco diferenciada. Segundo Henrique Kappel, gerente técnico em Expansão e Hospitalar do Grupo Sabin, de maneira geral, o portfólio hospitalar compreende todo o mix de exames do grupo. “Porém, nos hospitais, há foco maior em exames de urgência e emergência. Os exames mais solicitados são hemogramas, eletrólitos, dosagem de gases do sangue, enzimas cardíacas, exames para doenças de fase aguda, para a função renal e hepática, de coagulação, dentre outros.” Os hospitais parceiros do Sabin também atendem pacientes externos. “O atendimento externo muitas vezes torna-se importante tanto para o hospital, quanto para o prestador laboratório, já que a credibilidade da marca de ambos pode ser associada à atração de clientes e ao retorno posterior, levando-se em conta que a experiência de atendimento tenha sido surpreendente para o cliente”, ressalta.

Rotina exige rapidez

Henrique Kappel, gerente técnico em Expansão e Hospitalar do Grupo Sabin

Kappel explica que a rotina hospitalar é diferente da rotina ambulatorial principalmente porque o perfil do profissional, os treinamentos, a escolha do parque tecnológico hospitalar para a realização dos exames e as demandas exigidas estão voltadas para maior agilidade de atendimento e entrega de todo o processo. “Qualidade e confiança são características importantes, porém, quando falamos em atendimento hospitalar, o laboratório precisa ter foco no paciente e entender cada vez mais a sua jornada desde sua entrada no hospital, onde é necessário fazer o acompanhamento em tempo real – desde a solicitação médica do exame, passando pelo atendimento rápido da coleta e o cadastro do exame, até a completa e rápida disponibilização do resultado final para o médico assistente. A gestão de indicadores utilizando sistemas integrados hospital-laboratório e o entendimento de toda essa jornada do paciente são fundamentais para o hospital, para o laboratório e para o próprio paciente.”

Apesar do caráter de urgência exigido nesses laboratórios, processos e protocolos laboratoriais são padronizados e seguem as boas práticas laboratoriais, certificações e acreditações como a PALC (Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos), fornecida pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, e a acreditação internacional CAP, do Colégio Americano de Patologia. Segundo Vedolin, os treinamentos e cuidados com a segurança são padronizados e universais, em qualquer unidade laboratorial. O que muda é que nas urgências os exames ganham um código de agilidade, para antecipar os resultados.

Cada hospital, explica Aline, define um prazo estabelecido para entrega dos resultados, o que leva em conta se o paciente está em pronto atendimento, UTI ou sendo atendido em uma unidade que não requer atendimento emergencial. “Mediante essas especificidades, treinamos nossas equipes para que determinadas amostras possam ser priorizadas e a liberação dos resultados, mais ágil, mas sempre seguindo todas as normas e procedimentos de segurança.”

O processamento dos exames também requer uma rotina diferenciada e varia conforme o mix oferecido na unidade. No Grupo Fleury, cerca de 93% do volume de amostras é processada nas próprias unidades localizadas nas instituições hospitalares. Já os exames mais específicos, ou em menor escala, são encaminhados para a central técnica, localizada no bairro do Jabaquara, em São Paulo. A coleta, explica Aline, pode ser feita mais de uma vez ao dia, dependendo da estabilidade da amostra e da distância entre os hospitais e a central. “O transporte também segue todos os cuidados exigidos para cada tipo de amostra. Os malotes são monitorados, a temperatura é controlada, ou seja, seguimos todos os critérios estabelecidos para que a amostre chegue nas condições adequadas.”

Na Dasa, explica Vedolin, o processamento dos exames pode ser feito de duas formas: nas centrais que recebem amostras de diferentes laboratórios e nos núcleos hospitalares, que concentram exames urgentes para serem processados no ambiente hospitalar. Exames que impactam decisão terapêutica, especialmente em casos agudos e críticos, são processados no Núcleo Técnico Hospitalar (NTH), que tem rotina ininterrupta. Os demais são encaminhados para processamento nos Núcleos Técnicos Operacionais (NTOs), que somam 27 unidades espalhadas por todas as regiões do Brasil e que atuam com horários estendidos.

“O processo de logística também segue padrão universal e rigorosos processos de segurança na identificação das amostras. Esses processos são altamente bem definidos e colaboradores e gestores são treinados frequentemente para garantir o engajamento das equipes. A quantidade de envios para processamento depende da complexidade de cada hospital; em geral, hospitais com grandes estruturas contam com até cinco transportes diários e hospitais com estruturas menores, de dois a três. Entretanto, em casos excepcionais de intercorrências temos um serviço de logística extra que disponibiliza um transporte rápido para nunca colocar em risco ou comprometer o diagnóstico ou a definição de conduta de nenhum paciente”, diz Vedolin.

No Grupo Sabin, grande parte dos atendimentos hospitalares, exames e análises são realizados no Núcleo Técnico Hospitalar (NTH), um minilaboratório dentro do hospital desenhado para rotinas emergenciais. Muitos resultados podem ser entregues de forma rápida (em até dez minutos, em caso de exames de gasometria, ou em até 30 minutos, no caso de protocolos hospitalares de dor torácica ou de sepse). Parte das amostras, como exames hormonais, é enviada para o laboratório central ou para a matriz para o seu processamento.

Estrutura

A estrutura de atendimento montada em cada instituição hospitalar também é definida conforme o volume de amostras e os exames realizados. Há casos em que as áreas técnicas têm sido cada vez mais enxutas. Quando os exames precisam ser realizados no local, é necessário que o espaço disponibilizado seja maior. Segundo Aline, em algumas instituições são montadas pequenas unidades descentralizadas em UTIs, que contam com soluções point of care, entre outras, que auxiliam no atendimento rápido.

No Dasa, as estruturas laboratoriais dentro e fora de hospitais são similares e também variam conforme a necessidade de cada hospital, em relação ao volume de exames e espaço físico disponibilizado. Segundo Vedolin, em geral, as unidades hospitalares contam também com soluções point of care que, apesar de serem efetivas, têm custos maiores que os tradicionais. Kappel comenta que, em relação a essa solução, seu uso é  interessante no caso de triagens em solicitações específicas e para resultados rápidos, mas posteriormente pode haver necessidade de confirmação por metodologias mais eficazes e robustas.

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