Por Milena Tutumi

Há muito tempo os grandes laboratórios passaram  a ser muito mais que locais que oferecem serviços em diagnóstico e análises clínicas. Atualmente, a maioria das companhias tem investido altas cifras em inovação, seja em projetos corporativos ou em programas escaláveis, apoiando startups e dedicando áreas e equipes específicas para as ações em healthcare.

Skyhub é o braço de inovação do Grupo Sabin, dedicado ao desenvolvimento de novos modelos de negócio e serviços. A utilização de tecnologias emergentes é um dos destaques, como explica Istvan Camargo, Head do hub de inovação do Grupo Sabin: “Na área de diagnóstico podemos citar a utilização de machine learning para liberação automática de laudos. Nas áreas administrativas podemos citar a utilização de robótica no processamento de atividades suscetíveis à falha humana. E em outras unidades de negócio podemos citar o uso de inteligência artificial para monitoramento remoto de pacientes”.

No Grupo Hermes Pardini, uma das suas atuações em inovação é patrocinando o 100 Open Startups, programa de conexão efetiva de grandes corporações e startups, que baseia-se em uma plataforma digital internacional de grande impacto na geração de negócios. Utilizando efeitos de rede, buscam engajar de maneira eficiente startups, grandes empresas, executivos, cientistas e governos, alavancando oportunidades de negócio que geram impacto para os desafios reais da sociedade e do mercado. Em 2019/2020 o Grupo avaliou mais de 300 startups, sendo selecionadas algumas para uma verificação mais profunda e também de aderência com as necessidades da companhia. “Após todos os entendimentos entre as partes, tivemos 10 contratos efetivados para a condução de projetos de grande relevância para a empresa”, destaca João Alvarenga, Diretor de TI e Digital do Grupo Pardini.

João Alvarenga, do Grupo Hermes Pardini, pontua que esse é um dos meios para implementar novos produtos e serviços que atendam aos clientes e sociedade de um modo geral. Foto: Beto Satino

Dentre os projetos, estão o ONKOS, plataforma para identificar assinaturas genéticas específicas e personalizadas que respondam com maior acurácia e precisão dúvidas diagnósticas não solucionadas por completo pelas técnicas existentes atualmente; o SCHEMELAB, desenvolvimento de point-of-care para detecção molecular de arbovírus; o NEOPROSPECTA, para realização do exame Probiome, um teste molecular para a identificação, por meio da análise de DNA, da composição da microbiota intestinal, entre outros.

Em parceria com o Cubo Itaú, espaço de empreendedorismo tecnológico criado pelo Itaú Unibanco e Redpoint eventures, a Dasa atua no espectro de inovação aberta com o propósito de criar conexões para salvar vidas. “A área tem como objetivo aumentar e qualificar o radar de novas startups, soluções e empreendedores para que o time conheça e encontre as melhores práticas de relacionamento com o ecossistema”, explica Thiago Júlio, gerente de inovação aberta da Dasa. Dentro desse ecossistema de healthtech há diversas startups que já estão apoiando a Dasa na entrega de mais valor aos pacientes. Thiago Júlio cita como exemplo a NeoMed, um marketplace que integra clínicas, laboratórios e hospitais, que se juntou à Dasa para otimizar e acelerar o tempo do laudo médico em exames de imagem.

Hoje são 33 startups no portfólio, sendo que 24 estão em atividade. Desde 2015, a Dasa já investiu mais de R$ 200 milhões no processo de transformação digital e de renovação do parque tecnológico que estabeleceu um ambiente de open innovation na companhia. No prédio do Cubo, a Dasa mantém um andar para abrigar healthtechs – o CuboHealth – e desenvolver iniciativas de fomento, capacitação, mentoria e conexão com a companhia e todo o mercado de saúde.

Thiago Júlio, Gerente de Inovação Aberta da DASA. Companhia mantém o CuboHealth, parceria com o Cubo Itaú

Além das startups do portfólio CuboHealth, a Dasa apoia a iniciativa de Agenda Aberta a mercado. Às terças-feiras, o time de Inovação Aberta se dispõe para conhecer e apoiar soluções de saúde, desde ideias até startups em fase de scale-up. “Mais de 120 conversas foram realizadas desde o início da ação. Traduzindo em números, só em 2020 foram mais de 210 oportunidades de negócios para a Dasa, com mais de 110 startups de todos os setores”, informa o Gerente de Inovação.

Regularmente, o Grupo Pardini estabelece diversificadas ações em inovação, seja participando de eventos ou fazendo novas alianças. Em 2019, esteve presente no Oiweek Scibiz, evento de inovação aberta que aconteceu na Universidade de São Paulo e promovido pelo 100 Open Startups. No mesmo ano estabeleceu parceria com a Biotechtown, um hub de inovação voltado exclusivamente para o desenvolvimento de empresas, produtos e negócios nas áreas de biotecnologia e ciências da vida.

Por meio dessa parceria, o Grupo busca potencializar o desenvolvimento dos projetos de P&D, visando ampliar a capacidade produtiva no desenvolvimento de novos produtos. João Alvarenga comenta que dessa forma também garante o contato com um ecossistema exclusivo de empreendedores, pesquisadores e executivos em biotecnologia e ciências da vida, além de exposição da marca em ambiente inovador, trazendo apoio a projetos de inovação, por meio da interação com startups, empreendedores, pesquisadores e investidores.

A companhia ainda participou do BioInnovation Challenge, que aconteceu dentro da Feira Hospitalar, e do Whow, festival de inovação para negócios.

Laboratórios, parceiros e sociedade: todos ganham

Incluir ações de inovação nas estratégias dos grandes laboratórios abre uma ampla gama de oportunidades, incluindo a sociedade. Thiago Júlio, da Dasa, destaca a disseminação de cultura de inovação interna, com conteúdos de inovação aberta e empreendedorismo com diferentes áreas da empresa: jurídico, marketing, produtos, entre outros, incorporando inovação com ganho de eficiência, inteligência de mercado com radar de tendências de oportunidades de negócios.

Para o Grupo Pardini, o reconhecimento da inovação se constitui em elemento fundamental para a construção da competitividade e crescimento da organização. O Diretor João Alvarenga pontua que esse é um dos meios para implementar novos produtos e serviços que atendam aos clientes e sociedade de um modo geral.

Para Istvan Camargo, do Grupo Sabin, as inovações devem gerar valor ao cliente

Já Istvan Camargo, do Grupo Sabin, enxerga que o retorno para o laboratório está “na satisfação contínua e crescente tanto de pacientes quanto de médicos, bem como através da contribuição decisiva para o desenvolvimento social”.

A tendência aponta que o setor de healthtech ainda tem muito a crescer e um longo caminho a percorrer.

Mesmo que o setor tenha crescido consideravelmente nos últimos três anos, como aponta o Gerente da Dasa, “com uma elevada aceleração no ano passado por conta da pandemia, assim como aconteceu em todos os mercados digitais e de inovação, o setor da  saúde ainda precisa maturar questões de segurança do paciente, privacidade de informação, além dos desafios da correta gestão de riscos, alinhado com todas as regulações da área”.

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