Durante o segundo Congresso Virtual da Sociedade Brasileira de Medicina Laboratorial/Patologia Clínica (SBPC/ML), que aconteceu entre os dias 7 e 11 de setembro, as discussões em torno do tema “Desafios laboratoriais do século XXI” trouxe significativos olhares e perspectivas sobre a jornada dos laboratórios de diagnóstico 

Por Milena Tutumi

Aquisição, Associação ou Terceirização: Tendências do Mercado

Para falar sobre o mercado e suas tendências, o médico patologista clínico, Fábio Lima Sodré, definiu os conceitos mais utilizados nas relações comerciais entre empresas, iniciando pelo processo de aquisição, que significa uma operação em que uma ou mais sociedades são absorvidas por outra empresa que lhe sucede em todos os direitos e obrigações. No caso da fusão, duas ou mais sociedades se unem para formar uma nova sociedade. O Dr. Sodré enfatizou que as operações que acontecem como tendência de consolidação são aquelas que geram e criam valor para o acionista.

Outro importante requisito nas atividades relacionadas é a constante busca de  sinergias: “Quando um mais um deve ser maior que dois”, destacou o médico. Em busca dessa somatória, muitas empresas da área de saúde estabelecem a venda cruzada, modalidade em que empresas compram laboratórios para se ter mais de um produto oferecido pela companhia. Isso pode também aumentar a fidelização de clientes.

O Dr. Fábio Sodré explicou que os benefícios devem incluir a melhoria dos custos, aumentar o poder de barganha com fornecedores e impactar na melhor performance. Outro fator impactado por negociações de sucesso é a economia de escala, que acontece quando há a aquisição de muitas empresas. Isso gera diluição de despesas fixas como, por exemplo, a desnecessidade de manter dois setores de marketing ou financeiro.

Para complementar, o especialista acrescentou fatores que geram valor para o acionista nos processos de fusão e aquisição: o acesso a novas tecnologias, conhecimento e processos de capital humano e expansão para mercados que, muitas vezes, estavam inacessíveis por questões geográficas, com isso, pode se alcançar uma consolidação regional. Há ainda a possibilidade de aproveitar a capacidade instalada da nova empresa, em ativos que estavam subutilizados.

Os desafios das aquisições

Como em toda transação comercial, há desafios nesse processo e o Dr. Sodré chama a atenção especialmente para a integração das culturas empresariais e implementação das sinergias: “Isso é o principal motivo de fracasso nas aquisições. É necessário ter uma análise muito bem feita da situação ou contar com uma equipe específica para esse processo”, enfatizou.

Outro ponto importante a se ater é o momento de fazer o valuation, ou seja, a avaliação da empresa adquirida. A clareza da escolha da empresa, analisando a complementaridade, sinergia e a cultura, contribuem para um processo suave de integração.

O que são Associações

Por definição, a Associação é uma organização sem fins lucrativos, caracterizada pela união de pessoas físicas ou jurídicas com o objetivo de conquistar benefícios e desenvolvimento mútuo para o segmento que representam.

Em um panorama geral sobre esse modelo, o médico explicou que o associativismo é um processo democrático e representativo, capaz de gerar benefícios de formação e educação. Dentro de princípios específicos, fortalece a capacidade de ação, ganho de poder, investimentos coletivos, redução de custos, promove a troca de ideias e discussões de problemas comuns. Além disso, facilita parcerias e gera engajamento em formação e educação. “Por outro lado, os processos de decisão são mais lentos, podem haver interesses divergentes e há necessidade de mais tempo para interações”, observou o Dr. Sodré.

Os laboratórios que não pretendem ser adquiridos tendem a se associar para aumentar a competitividade. A conectividade disponível nos dias atuais é um ponto positivo que facilita o contato entre os associados de diferentes localizações.

Terceirização: como fazer e seus benefícios

A terceirização é uma forma de negociação que ocorre quando uma empresa é contratada para realizar serviços específicos dentro do processo produtivo da empresa contratante. A contratada deve realizar os serviços com uma empresa própria. De acordo com o Dr. Fábio Sodré, no caso dos laboratórios de diagnóstico, o que geralmente ocorre é a empresa mãe deixar de produzir serviços, que passam a ser realizados nas empresas contratadas. Um segundo uso das terceirizações é a contratação de empresas para executar serviços in loco, como limpeza, higienização ou segurança.

Como benefícios desse processo, o especialista aponta a maior eficiência, principalmente na terceirização de etapas que não atingem um volume mínimo dentro da contratante. “Pode facilitar a gestão empresarial e também possibilita rápidas tomadas de decisão com cancelamento de serviços com a contratação rápida para execução de serviços específicos”, complementou.

Apoiadas pela Lei 13429/17, que trouxe segurança jurídica, as terceirizações foram impulsionadas e hoje tendem a ser um modelo que pode gerar redução de custos e melhoria de competitividade.

O momento atual e a alta em aquisições

“Nunca houve tanta aquisição no mercado brasileiro atual”, colocou o Dr. Sodré. Com os caixas corporativos em alta, a retomada da confiança no mercado pelos grandes bancos, o  aumento de IPOs na bolsa de valores pelas empresas de diagnóstico são alguns dos fatores que têm movimentado o cenário econômico e de aquisições em saúde. “Mas as falências e empresas em dificuldade tendem a aumentar e as empresas que têm dinheiro em caixa, compram”. Soma-se a isso a força do dólar que cria oportunidades para investidores internacionais. Mas o especialista enfatizou que vivemos em um cenário de muitas incertezas e todas as tomadas de decisão e relações comerciais devem ser muito bem avaliadas.

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