A Ação Nacional de Combate ao Câncer (ANCC), promovida pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), alerta para a retomada dos cuidados e exames periódicos, cenário agravado na pandemia. Antes da Covid-19, cânceres evitáveis e que podem ser diagnosticados precocemente, como mama, próstata, colo do útero, colorretal e pulmão, já tinham altas taxas de diagnóstico tardio. Dentre os complicadores, o fato de apenas quatro entre 10 faculdades de Medicina oferecerem a disciplina de Oncologia

A missão é trabalhar pela retomada dos cuidados e exames periódicos e que a população tenha, em dia, a sua mamografia, toque retal, colonoscopia, dentre outros exames de rastreamento, assim como os meninos e meninas vacinados contra o vírus HPV

A alta taxa de mortalidade de câncer no Brasil é um problema multifatorial, mas algumas causas despontam entre as mais importantes. A falta de conhecimento de boa parcela dos médicos sobre a epidemiologia do câncer e as medidas mais efetivas para prevenir e diagnosticar precocemente a doença. Além disso, mesmo com o êxito de campanhas de conscientização como o Outubro Rosa e Novembro Azul, é grande o desconhecimento por parte da população, o que aumenta os tabus e distancia as pessoas dos hábitos saudáveis e dos exames periódicos. Para tornar o cenário ainda mais complexo, veio a pandemia de Covid-19, e, como consequência, cânceres evitáveis e que podem ser diagnosticados precocemente, como mama, próstata, colo do útero, colorretal e pulmão, hoje chegam aos serviços de saúde em estágio mais avançado.

Com a missão de reverter este cenário, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), realiza pelo quarto ano a Ação Nacional de Combate ao Câncer (ANCC), que este ano traz o tema “Pela retomada dos cuidados e dos exames periódicos”. Assim como no ano passado, a campanha será 100% on-line, reunindo informações sobre principais tipos de câncer, diagnóstico, tratamento, reabilitação, impactos da pandemia e lista de exames recomendados, acompanhados de todos os serviços de referência em Oncologia no Brasil. Destaque na programação para a Live agendada para quinta, dia 25, que discutirá o impacto da pandemia no diagnóstico de câncer nas cinco regiões do país, com propostas de soluções para uma retomada com equidade. Saiba mais clicando aqui.

De acordo com o cirurgião oncológico e presidente da ANCC 2021, Bruno Sarmento, a importância da ação nacional está em poder direcionar a informação àqueles que mais precisam saber sobre o câncer e quais exames periódicos realizar: o público-leigo. “Felizmente, o panorama está melhorando, porém, é nossa missão trabalhar pela retomada dos cuidados e exames periódicos e que a população tenha, em dia, a sua mamografia, toque retal, colonoscopia, dentre outros exames de rastreamento, assim como os meninos e meninas vacinados contra o vírus HPV”, ressalta.

Falta conhecimento também por parte dos muitos médicos

Dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) mostram que nos últimos 100 anos, o aumento no número de médicos foi proporcionalmente cinco vezes maior do que o de habitantes. Em 1920, ponto de referência do estudo, existiam 14.031 médicos no país. Um século depois, a quantidade é 35,5 vezes maior. Comparando as duas últimas décadas, em 2000, eram 230.110 médicos e, no ano passado, o país já somava 502.475 profissionais em atividade. O levantamento é do estudo Demografia Médica no Brasil 2020, resultado de uma colaboração entre o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Universidade de São Paulo (USP).

Porém, neste grande número de profissionais, graduados nas mais de 300 escolas médicas do país, há um contexto desfavorável para o diagnóstico de câncer na população brasileira. Apenas quatro entre 10 faculdades de Medicina oferecem a disciplina de Oncologia na grade curricular. “Como consequência disso, vemos hoje médicos que, por exemplo, não sabem quando indicar uma colonoscopia”, lamenta o cirurgião oncológico e presidente da SBCO na gestão 2019-2021.

O cirurgião oncológico Heber Salvador, eleito para presidente da SBCO na gestão 2021-2023, destaca que é fundamental haver o ensino de Oncologia em todas as faculdades de Medicina do país e que esta disciplina também figure na grade curricular de outras áreas de saúde, essenciais para o cuidado multidisciplinar do paciente oncológico, como Fonoaudiologia, Fisioterapia, Nutrição, Psicologia, Enfermagem, dentre outras. “Os médicos e demais profissionais da saúde precisam aprender a pensar oncologicamente. Com isso, a população será mais bem assistida por eles em todas as etapas, da prevenção à reabilitação pós-tratamento”, vislumbra.

Informações sobre os tipos de câncer

Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Para diferentes tipos de células de um mesmo órgão, pode-se desenvolver determinados tipos de câncer. Suas características e tipos fazem com que o câncer se torne diferente, como a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes (metástases). Veja os principais tipos de câncer, as chances de tratamento, cuidados e prevenção neste material especialmente produzido pela SBCO para a ANCC 2021 clicando aqui.

Oito dicas para prevenir o câncer

1ª – Não fume!

Essa é a regra mais importante para prevenir o câncer, principalmente os de pulmão, cavidade oral, laringe, faringe e esôfago. Ao fumar, são liberadas no ambiente mais de 4.700 substâncias tóxicas e cancerígenas que são inaladas por fumantes e não fumantes. Parar de fumar e de poluir o ambiente é fundamental para a prevenção do câncer.

2ª – Mantenha uma alimentação saudável

Uma ingestão rica em alimentos de origem vegetal, como frutas, legumes, verduras, cereais integrais, feijões e outras leguminosas, e pobre em alimentos ultraprocessados, como aqueles prontos para consumo ou prontos para aquecer e bebidas adoçadas, pode prevenir o câncer. A alimentação deve ser saborosa, respeitar a cultura local, proporcionar prazer e saúde, além de incluir alimentos regionais.

3ª – Evite a ingestão de bebidas alcoólicas

Seu consumo, em qualquer quantidade, contribui para o risco de desenvolver câncer. Além disso, combinar bebidas alcoólicas com o tabaco aumenta a possibilidade do surgimento da doença.

4ª – Evite comer carne processada

Carnes processadas, como presunto, salsicha, linguiça, bacon, salame, mortadela, peito de peru e blanquet de peru, podem aumentar a chance de desenvolver câncer. Os conservantes (como os nitritos e nitratos) podem provocar o surgimento de câncer de intestino (cólon e reto) e o sal pode provocar o de estômago.

5ª – Mantenha o peso corporal adequado

Manter um peso saudável ao longo da vida é uma das formas mais importantes de se proteger contra o câncer. Uma alimentação saudável favorece a manutenção do peso saudável e a recomendação é evitar alimentos ultraprocessados, como aqueles prontos para aquecer ou consumir, e basear a alimentação em alimentos in natura e minimamente processados, como as frutas, legumes, verduras, feijões e outros grãos, sementes e castanhas. A atividade física também contribui para se proteger contra o câncer, além de contribuir para a manutenção do peso corporal saudável. Você pode, por exemplo, caminhar, dançar, trocar o elevador pelas escadas, levar o cachorro para passear, cuidar da casa ou do jardim ou buscar modalidades como a corrida de rua, ginástica, musculação, entre outras. Experimente, ache aquela modalidade de que você goste, aproveite e busque fazer dessas atividades um momento coletivo, prazeroso e divertido, com a família e amigos, ou faça da atividade física um momento introspectivo no qual você se conecta consigo. Enfim, é possível encaixar a atividade física na rotina de cada um, seja através do deslocamento ativo indo ao trabalho ou outras atividades, caminhando ou de bicicleta, são diversas as possibilidades. A criação de ambientes que incentivem a alimentação saudável e ser fisicamente ativo ao longo da vida é fundamental para o controle do câncer.

6ª – Amamente

O aleitamento materno é a primeira ação de alimentação saudável. A amamentação até os dois anos ou mais, sendo exclusiva até os seis meses de vida da criança, protege as mães contra o câncer de mama e as crianças contra a obesidade infantil. A partir de seis meses da criança, deve-se complementar a amamentação conforme a dica sobre alimentação saudável e proteção contra o câncer. Mulheres entre 25 e 64 anos devem fazer o exame preventivo do câncer do colo do útero a cada três anos. As alterações das células do colo do útero são descobertas facilmente no exame preventivo (conhecido também como Papanicolau), e são curáveis na quase totalidade dos casos. Por isso, é importante a realização periódica deste exame. Tão importante quanto fazer o exame é saber o resultado, seguir as orientações médicas e o tratamento indicado.

7º – Vacine-se contra o HPV e a Hepatite B

A vacinação contra o HPV, disponível no SUS, e o exame preventivo (Papanicolau) se complementam como ações de prevenção do câncer do colo do útero. Mesmo as mulheres vacinadas, quando chegarem aos 25 anos, deverão fazer um exame preventivo a cada três anos, pois a vacina não protege contra todos os subtipos do HPV. O câncer de fígado está relacionado à infecção pelo vírus causador da hepatite B e a vacina é um importante meio de prevenção deste câncer. O Ministério da Saúde disponibiliza, nos postos de saúde do país, a vacina contra esse vírus para pessoas de todas as idades.

8º – Evite a exposição solar

Evite a exposição ao sol entre 10h e 16h e use sempre proteção adequada, como chapéu, guarda-sol e protetor solar, inclusive nos lábios. Se for inevitável a exposição ao sol durante a jornada de trabalho, use chapéu de aba larga, camisa e calça comprida.

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Ação Nacional de Combate ao Câncer, câncer, exames periódicos

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