Agência orienta que laboratórios de microbiologia intensifiquem a vigilância laboratorial para identificação de casos 

O laboratório realizou as análises utilizando o Maldi-Tof. Foto: Wikipedia

A Anvisa informou que, nesta terça-feira (11/1), foi confirmado o terceiro surto do fungo Candida auris no Brasil. O caso ocorreu em um hospital da rede pública de Recife, Pernambuco (PE). A identificação foi confirmada pelo laboratório de referência, que é o Laboratório Central de Saúde Pública Prof. Gonçalo Moniz – Lacen/BA.

O laboratório realizou as análises utilizando o Maldi-Tof (Matrix – Assisted Laser Desorption Ionization Time-of-Light), um método que usa ionização para diagnosticar, de maneira rápida e eficaz, as proteínas de uma bactéria ou fungo. Destaca-se que ainda há outro caso suspeito, que está em investigação laboratorial.

É importante esclarecer que, apesar de no momento haver só um caso confirmado e outro em análise no Brasil, pode-se considerar que há um surto de Candida auris porque a definição epidemiológica de surto abrange não apenas uma grande quantidade de casos de doenças contagiosas ou de ordem sanitária, mas também o surgimento de um microrganismo novo na epidemiologia de um país ou até de um serviço de saúde – mesmo se for apenas um caso.   

Confira algumas das ações realizadas em relação ao surto:

– Desde a identificação do caso suspeito, o hospital estabeleceu as medidas de precaução e adotou ações para prevenção e controle do surto.

– A Coordenação Estadual de Prevenção e Controle de Infecção de Pernambuco foi notificada a respeito do caso suspeito, realizou visita técnica ao hospital e está prestando orientações, monitorando o surto e apoiando as ações de prevenção e controle de infecção.

– A força-tarefa nacional foi acionada e várias ações de vigilância, monitoramento, prevenção e controle foram intensificadas. Essa força-tarefa é composta pela Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), pela Coordenação Estadual de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (Iras), pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) – Nacional, Pernambuco e Recife, pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Pernambuco, pela Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde Pública da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (CGLAB/SVS/MS), pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco (Lacen-PE), pelo Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen-BA), pelo Laboratório Especial de Micologia (Lemi) da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), por especialistas em prevenção e controle de infecção e micoses sistêmicas e pela Gerência de Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde (GVIMS), que integra a Gerência-Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde (GGTES) da Anvisa.

– A investigação epidemiológica já está sendo organizada e será conduzida pelos Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) e pelo EpiSUS (Epidemiologia Aplicada aos serviços do Sistema Único de Saúde – SUS).

– A CGLAB está acompanhando e apoiando a investigação laboratorial do surto.

– Os laboratórios de referência – Lacens de Pernambuco e da Bahia estão apoiando as análises das amostras enviadas pelo laboratório do hospital.

– O Lemi da EPM/Unifesp já está se preparando para o sequenciamento dos isolados.

– A Anvisa está acompanhando as ações relacionadas ao surto, articulando-se com os envolvidos e apoiando as ações da força-tarefa nacional.

Por fim, a Agência orienta que os laboratórios de microbiologia intensifiquem a vigilância laboratorial para a identificação do fungo Candida auris, conforme descrito na Nota Técnica 11/2020. Diante de um caso suspeito ou confirmado de  Candida auris, informem imediatamente à Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do serviço de saúde e sigam as recomendações da Nota Técnica 11/2020 quanto ao encaminhamento da amostra ao Lacen.

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fungo Candida auris, MALDI-TOF

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