Uma avaliação genética indicou outra característica da estirpe pesquisada: ela produzia as proteínas necessárias para conseguir se alojar no intestino grosso dos suínos

Nas granjas usadas para a criação de suínos, um problema frequente atinge animais recém-nascidos e gera muitas perdas econômicas para os criadores. Quase todos os leitões têm seu crescimento prejudicado e, às vezes, até são mortos por uma doença causada pela bactéria Clostridium difficile. Uma pesquisa de doutorado, realizada na Escola de Veterinária da UFMG, desenvolveu uma medida para prevenção e controle da infecção por essa bactéria.

O autor do estudo, Carlos Augusto de Oliveira Júnior, começou a investigar a ação do Clostridium difficile ainda em seu mestrado, concluído, assim como o doutorado, no Programa de Pós-graduação em Ciência Animal. Ao longo da pesquisa, Carlos Augusto escolheu, dessa bactéria, uma variedade que não produzia toxinas causadoras de doenças. Posteriormente, uma avaliação genética indicou outra característica da estirpe pesquisada: ela produzia as proteínas necessárias para conseguir se alojar no intestino grosso dos suínos.

A ideia do pesquisador foi usar essa variedade ‘do bem’ para prevenir a infecção causada pelas estirpes da bactéria produtoras de toxinas. Testes feitos em laboratório e em uma granja comercial confirmaram a eficiência da variedade selecionada por Carlos Augusto. “Os leitões que acabavam de nascer recebiam certa quantidade da bactéria que estávamos testando”, explica. “A bactéria que administramos conseguiu reduzir sinais clínicos nesses animais e diminuir a eliminação da bactéria patogênica, o que é muito importante, pois em uma granja essa bactéria que causa doenças se dissemina muito rápido”, acrescenta.

Outros testes laboratoriais mostraram que a estirpe não toxigênica apresenta condições para ser utilizada comercialmente. A tese de doutorado recebeu menção honrosa no Prêmio Capes de Teses – Edição 2020.

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avaliação genética, Clostridium difficile, suínos

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