A Burkholderia cepacia foi descrita em 1950 como Pseudomonas cepacia como uma espécie fitopatogênica por Burkholder em bulbos apodrecidos de cebola.

É uma espécie Gram negativa, aeróbica e apresenta motilidade, pode produzir pigmentos não fluorescentes, e acumular poli-β-hidroxialcanoatos como materiais de reserva. A temperatura ótima de crescimento varia de 30 a 35°C.

O gênero Burkholderia pertence à subdivisão β do grupo das proteobactérias e a sua taxonomia tem sofrido alterações consideráveis, sendo que hoje compreende 60 espécies. Um estudo realizado em 1977, envolvendo a caracterização de microrganismos identificados através de testes bioquímicos como a Burkholderia cepacia, demonstrou que os mesmos possuíam características fenotípicas semelhantes mas genotípicas diferentes, podendo pertencer a pelo menos 5 espécies diferentes. Desde esse primeiro estudo, a taxonomia do complexo B. cepacia (BCC) tem vindo a se modificar consideravelmente e, atualmente, pertencem ao complexo BCC, nove espécies diferentes: B. ceepacia, B. multivorans, B. cenocepacia, B. stabilis, B. vietnamiensis, B. dolosa, B. ambifaria, e B. pyrrocinia.

As espécies do complexo BCC são isoladas frequentes no ambiente, água, solo, plantas e nos seres humanos podem colonizar o trato respiratório.

Este grupo de bactérias são frequentemente resistentes aos antibióticos conhecidos, pacientes imunocomprometidos portadores de fibrose cistítica, transplantados pulmonares podem sofrer graves infecções com este microrganismo.

Existem relatos de surtos causados por fontes contaminadas de água, equipamentos de inalação e respiradores hospitalares, equipamentos de ventilação pulmonar, ou desinfetantes contaminados.

Na década passada os microrganismos identificados como pertencendo ao complexo BCC foram identificados como potencialmente perigosos dentro do ambiente de produção farmacêutica,  devido à relação com produtos não estéreis e a presença destas bactérias.

O F.D.A. recentemente alertou sobre a necessidade de se testar a presença deste microrganismo no ambiente, na água e nas matérias primas e produtos acabados devido a uma série de recalls envolvendo o complexo BCC.

A Farmacopeia dos Estados Unidos da América publicou através do Pharmacopoeial Forum vol 44(5) In-Process Revision a revisão do capítulo 60 Microbiological Examination of Nonsterile Products – Tests for Burkholderia cepacia complex, que corresponde na Farmacopeia Brasileira 5° edição a 5.5 Ensaios Microbiológicos, 5.5.3.1 Ensaios Microbiológicos para produtos não estéreis.

O Fórum esclarece que devido à falta de método padronizado a Farmacopeia está propondo o novo capítulo.  A Burokholderia cepacia tem o potencial de crescer em conservantes e antissépticos, e crescer em produtos líquidos orais e tópicos.

O capítulo tem o objetivo de estabelecer se uma matéria prima ou produto atende com uma especificação para a ausência do microrganismo, especialmente aqueles para uso em inalação, uso oral, mucosa oral, cutânea, ou nasal para os pacientes de alto risco.

Conforme a proposição deve-se realizar testes de promoção de crescimento com as seguintes cepas: Burkholderia cepacia ATCC 25416, Burkholderia cenocepacia ATCC BAA-245, Burkholderia multivorans ATCC BAA-247 e a Pseudomonas aeruginosa ATCC 9027.

As amostras diluídas devem ser inoculadas em Caldo de Soja Caseína e a seleção e subcultura devem ser semeadas em Burkholderia cepacia seletive agar e incubados a 30-35°C durante 18 a 72 horas.  A presença da Burkholderia é evidenciada pelo crescimento de colônias verde a marrom com halo amarelado ou de colônias brancas com uma zona rosa avermelhada no meio de cultura, que devem ser confirmados por meios bioquímicos.  A ausência do microrganismo confirmada pelo não crescimento ou os testes confirmatórios de identificação forem negativos.

Mais informações: (11) 5539-6710
http://www.bcq.com.br

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BCQ, Burkholderia cepacia, Farmacopeia

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