Além da crescente lista de genes que já estão ligados ao transtorno, cientistas agora acrescentam mutações em sequências do DNA que controlam os genes

Para chegar a essa importante descoberta, os pesquisadores estudaram o genoma completo de 9.274 pessoas de 2.600 famílias afetadas pelo TEA

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) atinge cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo e mais de 2 milhões somente no Brasil, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mesmo com diversos avanços, ainda hoje é um desafio para a ciência definir os fatores genéticos que contribuem para o autismo. Isso porque, assim como outras desordens neurológicas e psiquiátricas, a síndrome não é fruto de alterações em um único gene, pelo contrário, envolve distúrbios moleculares complexos em múltiplos genes. Atualmente, se sabe que 722 dos 20 mil genes humanos são relacionados ao TEA, mas muitos ainda são desconhecidos.

Buscando montar mais uma peça desse quebra-cabeça de alta complexidade, uma equipe de cientistas da Universidade da Califórnia, liderada pelo pesquisador Jonathan Sebat, Ph.D., em parceria com o Dr. Alysson R. Muotri, Ph. D., descobriu que regiões reguladoras de genes do neurodesenvolvimento estão mais suscetíveis a mutações em autistas. Ou seja, agora sabemos que tanto os genes quanto os elementos do DNA que os controlam estão relacionados com o autismo. O estudo completo foi publicado na revista Science.

Para chegar a essa importante descoberta, os pesquisadores estudaram o genoma completo de 9.274 pessoas de 2.600 famílias afetadas pelo TEA. Algumas das sequências regulatórias do DNA identificadas estão especificamente associadas ao controle de um subconjunto de genes conhecidos como “intolerantes” quando sofrem mutações, o que quer dizer que esses genes são particularmente vulneráveis quando erros aparecem em sua sequência.

Outra importante conclusão do estudo está relacionada as raras mutações “de novo”. Os cientistas descobriram que esses erros no DNA não são herdados de nenhum dos pais, e nem vistos em outros filhos do mesmo casal. A equipe também observou que algumas das mutações nas regiões reguladoras ocorreram em áreas que ajudam a controlar alguns desses genes “intolerantes à mutação”.

“Curiosamente, descobrimos que a maior parte dessas alterações são herdadas do pai e não estavam presentes em outros irmãos”, explica o Dr. Alysson Muotri, que também é chefe científico da startup de biotecnologia Tismoo, primeiro laboratório do mundo exclusivamente dedicado a análises genéticas focadas em perspectivas terapêuticas personalizadas para o TEA e outros transtornos neurológicos de origem genética. Agora, os pesquisadores seguem tentando desvendar essa complexa síndrome que é o autismo.

 

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