Descoberta feita por pesquisadores australianos, e publicada em julho deste ano na revista Oncotarget, promete revolucionar o tratamento de câncer, à medida que a doença pode ser diagnosticada antes mesmo do paciente notar algo suspeito, agilizando o tratamento

Em 2018, a Skin Cancer Foundation estima que mais de 91.000 casos de melanoma serão diagnosticados depois que eles já se tornaram invasivos

Diagnosticar precocemente a forma mais letal do câncer de pele (melanoma) é um desafio crucial, que deve ser feito com ajuda do dermatologista ao observar sinais na pele do paciente. Mas um novo estudo australiano, publicado em julho na revista Oncotarget, promete revolucionar o tratamento do câncer com um exame de sangue experimental que pode potencialmente encontrar câncer de pele tipo melanoma muito antes que o dermatologista possa detectá-lo visualmente. “Normalmente, os melanomas são diagnosticados depois que o paciente ou seu dermatologista notam um local suspeito durante uma verificação regular da pele. Quando descoberto cedo, eles são facilmente tratados. Mas quanto mais tempo um melanoma não é descoberto, mais perigoso ele se torna. A taxa de sobrevivência cai para 63% quando a doença atinge os nódulos linfáticos e 20% quando a doença atinge, em metástase, órgãos distantes”, explica a dermatologista Dra. Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

Em 2018, a Skin Cancer Foundation estima que mais de 91.000 casos de melanoma serão diagnosticados depois que eles já se tornaram invasivos, por esse motivo o teste experimental com a detecção precoce por meio do exame de sangue é visto com entusiasmo por dermatologistas e oncologistas.

O novo teste de sangue experimental, descoberto por pesquisadores na Austrália, detectou com precisão a doença em 81% das vezes. Segundo os pesquisadores, o teste detecta uma combinação particular de 10 anticorpos no sangue de pessoas com câncer de pele melanoma. “O corpo produz esses anticorpos no ‘estágio inicial da doença’ e pela primeira vez foi mostrado que os anticorpos são detectáveis no sangue de pacientes com tumores de melanoma com menos de um milímetro de espessura”, diz a Dra. Claudia Marçal.

Dessa forma, usando o teste, os médicos poderiam detectar o melanoma observando o seu sangue antes que eles pudessem detectá-lo olhando para sua pele. “Sabemos que esse tipo de detecção precoce é crítico para as taxas de sobrevivência. É importante detectar um melanoma mais cedo porque a chance de ele ser totalmente curável é muito maior”, explica a médica. O exame promete ser ainda mais importante para aqueles com histórico familiar de câncer de pele. “Isso pode também permitir que médicos de outras especialidades façam a triagem desses cânceres e então encaminhem o paciente a um dermatologista para diagnóstico”, diz a médica.

Apesar da boa notícia, o exame de sangue ainda está em fase de estudo e estará em testes clínicos pelos próximos três a cinco anos. Esse teste precisa ter pelo menos 90% de precisão para ser aprovado pelo FDA (Food And Drug Administration). No entanto, os pesquisadores esperam que ele possa ser usado mais cedo em conjunto com outros métodos de detecção de melanoma.

Dados

Melanoma é o tipo de câncer de pele com o pior prognóstico e o mais alto índice de mortalidade. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), apesar de não ser o mais frequente câncer de pele, no ano de 2018 são estimados 2.920 casos novos em homens e 3.340 casos novos em mulheres. Com relação ao câncer de pele não-melanoma, estimam-se 85.170 casos novos de câncer de pele entre homens e 80.410 nas mulheres para o ano de 2018.

De acordo com a dermatologista Dra. Claudia Marçal, embora a principal causa do melanoma seja genética, a exposição solar também influencia no aparecimento da doença — principalmente com os elevados índices de radiação que atingem níveis considerados potencialmente cancerígenos, onde ocorre exposição à radiação UVA/UVB e IR (infravermelho). “O filtro solar deve ser usado diariamente independentemente da estação do ano e se está num dia nublado, chuvoso ou encoberto; a radiação UV mesmo em um dia 100% encoberto, ela só é barrada em 30% e 70% dessa radiação passa”, alerta a dermatologista. Esta fotoexposição, ao longo dos anos, pode gerar lesões novas ou modificar aquelas que já existiam previamente na pele de qualquer pessoa. Com uma exposição solar frequente, seja por lazer ou ocupacional, muitas vezes, as pessoas não percebem a medida da exposição ao sol silencioso no trabalho de campo, no dirigir ou andar na rua.

Diagnóstico precoce

Embora o diagnóstico de melanoma normalmente traga medo e apreensão aos pacientes, as chances de cura são de mais de 90%, quando há detecção precoce da doença, segundo a SBD. “Por isso, a realização do autoexame dermatológico é necessária”, explica a Dra. Claudia Marçal.

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câncer de pele (melanoma), exame de sangue, pele

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