Doença não tem cura e afeta de três a cinco pessoas em cada 10 mil, segundo Organização Mundial de Saúde

Os métodos diagnósticos atuais para MA apenas informam ao médico se o paciente tem ou não a doença, mas os biomarcadores utilizados até agora não permitem prever com segurança como ela vai se desenvolver, nem qual a melhor resposta terapêutica

Pesquisadores da University of Alberta (Canadá) utilizaram a análise metabólica do soro e encontraram um padrão único de 12 metabólitos exclusivos em pessoas com miastenia gravis (MA), doença crônica ainda sem cura, que pode ser autoimune ou congênita e se caracteriza por fraqueza muscular e fadiga rápida quando o músculo é exigido.

No estudo, liderado pelo neurologista Zaeem Siddiqi, foi comparado o soro de 46 voluntários com diagnóstico confirmado de miastenia gravis com o de 49 indivíduos saudáveis — grupo controle. Em seguida, os pesquisadores fizeram nova comparação, mas, desta vez, entre os que apresentavam MA com um grupo de 23 pacientes com artrite reumatoide.

Depois de identificar mais de 10 mil compostos nas amostras, a equipe encontrou um padrão único de 12 metabólitos exclusivos para quem sofre de MA.

“Isso é realmente importante porque agora temos uma maneira de diferenciar facilmente um paciente com miastenia gravis de alguém com artrite reumatoide ou outra doença autoimune”, afirma Siddiqi, que é membro do Women’s and Children’s Health Research Institute e do Neuroscience and Mental Health Institute, ambos da universidade canadense.

Segundo o pesquisador, os resultados permitem explorar como esses 12 metabólitos mudam em casos leves, moderados ou graves para que sejam um biomarcador mais robusto e eficaz que permita prever o curso da doença e desenvolver planos de tratamento.

O artigo Beyond the autobodies: serum metabolomic profiling os myasthenia gravis foi publicado no periódico Metabolomics.

Diagnóstico

Zaeem Siddiqi e Derrick Blackmore

Os métodos para diagnosticar a doença incluem exames clínico e de sangue, tomografia do tórax, eletroneuromiografia e também testes genéticos e biópsia do tecido muscular. No caso da análise de sangue, ela procurar detectar a presença dos anticorpos que atacam os receptores musculares — anticorpos anti-acetilcolina ou MusK — identificados em aproximadamente 80% dos casos de miastenia gravis autoimune.

Segundo os pesquisadores da University of Alberta, os métodos diagnósticos atuais para MA apenas informam ao médico se o paciente tem ou não a doença, mas os biomarcadores utilizados até agora não permitem prever com segurança como ela vai se desenvolver, nem qual a melhor resposta terapêutica. E como não é uma doença comum, os tratamentos podem ser caros, difíceis de encontrar e inadequados para o paciente.

“O que estamos tentando fazer com essa descoberta de biomarcadores não é apenas permitir um diagnóstico mais preciso, mas também desenvolver tratamentos específicos para as necessidades do paciente e poder prever com mais precisão os efeitos dos tratamentos. A descoberta desse biomarcador pode representar um passo importante na medicina individualizada”, diz Derrick Blackmore, coautor do estudo.

Autoimune ou congênita

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a miastenia gravis afeta de três a cinco pessoas em cada 10 mil. Ela ocorre principalmente em mulheres abaixo de 40 anos e em homens acima de 60. Segundo a Associação Brasileira de Miastenia (Abrami), apesar de ainda não haver cura, existem tratamentos que, em muitos casos, conseguem manter a doença sob controle e até mesmo fazê-la regredir.

A forma mais comum é a autoimune, em que anticorpos atacam as fibras musculares e impedem sua contração, levando-as a se atrofiarem ou degenerarem. Com isso, a pessoa tem dificuldade para fazer movimentos, como abrir e fechar os olhos, falar, mastigar, engolir, mover a cabeça, pegar objetos e caminhar, por exemplo.

Na miastenia congênita, o indivíduo adquire por herança genética um ou mais genes com determinadas mutações que provocam problemas na formação de nervos e músculos e resultam em dificuldades para realizar movimentos.

Os sintomas mais frequentes nas duas formas da doença incluem queda de uma ou ambas as pálpebras, visão dupla, dificuldade para falar, engolir, respirar ou sustentar a cabeça, cansaço ao mastigar, fraqueza nos músculos dos braços e pernas e cansaço rápido depois de realizar movimentos repetitivos.

Tags:

análise metabólica do soro, biomarcador, Miastenia gravis

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