A proposta da startup vencedora é a utilização do kit molecular FreeMallaria nos testes de rotina dos bancos de sangue, visando evitar a transmissão da malária por meio de transfusão de sangue e seus derivados

Bancos de sangue livres de malária. Com essa proposta, a startup FreeMallaria, criada por pesquisadoras da Fiocruz Minas, foi a vencedora da terceira rodada do Inova Labs, programa de pré-aceleração que visa identificar oportunidades junto aos pesquisadores da Fiocruz para o desenvolvimento de soluções para o Sistema Único de Saúde (SUS). A premiação foi realizada durante o Demoday, evento online em que os participantes apresentam seus pitchs e mostram que estão aptos a se lançar no mercado em busca de investidores para seus empreendimentos. A equipe vencedora recebeu o prêmio Aline Machado, que tem esse nome em homenagem à servidora da Fiocruz que morreu em março deste ano, vítima da Covid-19. Aline fazia parte do grupo de gestão do Inova Labs e foi uma das responsáveis pelo êxito do Programa.

A proposta da startup vencedora é a utilização do kit molecular FreeMallaria nos testes de rotina dos bancos de sangue, visando evitar a transmissão da malária por meio de transfusão de sangue e seus derivados. O principal diferencial da tecnologia desenvolvida é promover a amplificação do DNA do parasito, aumentando a sensibilidade do teste em mais de 300 vezes, em relação aos que são realizados atualmente. Assim, torna-se possível verificar a presença do parasito no sangue, mesmo em quantidades baixas.

“Hoje, utiliza-se o diagnóstico parasitológico por microscopia que, devido à sua baixa sensibilidade, é incapaz de detectar grande parte dos indivíduos infectados, possibilitando a ocorrência da malária transfusional. Anualmente, mais de 3 milhões de bolsas de sangue são coletadas no Brasil e estima-se que até 3% delas possam estar infectadas por malária”, explicou a bióloga Denise Alvarenga, durante sua apresentação.

De acordo com a equipe, o FreeMallaria tem capacidade de ser realizado em larga escala, o que confere maior velocidade de processamento. Além disso, tem viabilidade de implementação imediata, uma vez que, em todo o Brasil, os bancos de sangue já possuem infraestrutura e equipes treinadas para realização de diagnóstico molecular, pois tal metodologia já é usada para a detecção de Aids e hepatites. A equipe ressalta ainda que o kit FreeMallaria é capaz de detectar todos os tipos de malária, resolvendo, assim, um problema global que, atualmente, afeta 90 países.

Composta por Cristiana Brito, Denise Alvarenga e Taís Nóbrega de Souza, do grupo de Biologia Molecular e Imunologia da Malária da Fiocruz Minas, a equipe responsável pelo FreeMallaria ressaltou a satisfação de participar do Inova Labs. “É muito bom chegar até aqui e ver o quanto as equipes cresceram juntas. Não se trata de competição, mas de solidariedade. Ter a oportunidade de melhorar como profissionais, como equipe, é o que nos move. Dedicamos esse prêmio a todas as outras equipes”, destacaram.

Inbox Devices

Além da FreeMallaria, outra startup da Fiocruz Minas chegou à fase final do Inova Lab, se classificando em 3º lugar. Trata-se da Inbox Devices, que desenvolveu um dispositivo multifuncional, o All in One (AiO), voltado para a Covid-19. A tecnologia permite fazer o teste rápido para diagnóstico da doença, com digitalização em tempo real dos dados do paciente, contando, ainda, com um sistema de georeferenciamento para facilitar o rastreio dos casos. Além disso, poderá ser integrado ao banco de dados do Sistema Nacional de Notificações, facilitando, assim, a tomada de decisões para o controle da doença.

“Nosso dispositivo conta com um cassete descartável que vai receber a amostra do paciente, além de um módulo de leitura fixo com diversos sensores que vão realizar a leitura automatizada, tanto do teste rápido quanto de outros parâmetros, como os dados de oximetria. Tudo isso será controlado por aplicativo via celular que realiza a coleta de dados do paciente e envia para o banco de dados”, explicou Fernando Mathias, do grupo de Informática de Biossistemas da Fiocruz Minas, durante sua apresentação.

De acordo com a equipe do Inbox Devices, o dispositivo AiO poderá melhorar a qualidade dos inquéritos epidemiológicos e possibilitará uma notificação mais rápida dos casos. Além disso, todos esses dados integrados terão impactos na implementação de políticas públicas mais efetivas. A equipe do Inbox Devices é composta por Jerônimo Ruiz, Maria Gabriela Carvalho, Fernando Mathias, Paul Anderson e Thiago Matos, do grupo de Informática de Biossistemas da Fiocruz Minas.

A terceira rodada do Programa Inova Labs Fiocruz teve início no dia 23 de fevereiro, contando com 18 equipes inscritas. No decorrer de dois meses, os participantes passaram por uma série de treinamentos, com o intuito de preparar os pesquisadores para transformar suas pesquisas em produtos e serviços que tenham impactos positivos para a sociedade. Além das duas equipes da Fiocruz Minas, classificaram-se como finalistas as startups Corona-Reveal, do IOC/Fiocruz; DetectArbo, do IOC/Fiocruz; Nanofight Virus, da Fiocruz Ceará; e PrevINI, do INI/Fiocruz.

O Inova Labs é uma iniciativa conjunta entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde (SCTIE) do Ministério da Saúde (MS) e a Fundação Biominas. As inscrições para a quarta rodada podem ser feitas na página do programa. Com informações da Fiocruz

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