Comparado com o tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa), os ensaios de anti-Xa são considerados menos influenciados pelas variáveis de padronização do teste, possuindo uma melhor comparabilidade interlaboratorial e permitindo assim uma maior efetividade terapêutica

A heparina foi descoberta há um século atrás, porém foi somente em 1930 que a heparina não fracionada (HNF) foi introduzida na prática clínica como o primeiro anticoagulante para prevenir e tratar o tromboembolismo venoso (TEV), tratamento da síndrome coronariana aguda, prevenção de tromboses em pacientes em tratamento por intervenções cardíacas ou vascular e de tromboses em circulação extracorpórea.

Sua ação anticoagulante se faz pela ligação da molécula de antitrombina (AT) potencializando seu efeito inibidor da coagulação, principalmente sobre a trombina (IIa) e o fator Xa1.

Foi na década de 1980 que surgiu a heparina de baixo peso molecular (HBPM), apresentando algumas vantagens sobre a HNF em termos farmacocinéticos e conveniência de administração, além de se mostrar mais efetiva e segura do que a HNF.

Nos tempos atuais, com o surgimento da Covid-19, os hospitais adotaram a conduta de tratamento aos pacientes com as heparinas (HNF e HBPM) em doses profiláticas ou plenas, seguindo inclusive as recomendações de Guias de Hemostasia locais e internacionais.

Como a resposta à heparina varia entre os pacientes independentemente, existe uma gama de testes laboratoriais para monitorar estas drogas anticoagulantes, como: tempo de coagulação (TC), tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa), tempo de trombina (TT), ensaios cromogênicos como o fator anti-Xa, tempo de coagulação ativada (TCA), a tromboelastografia e os testes de geração de trombina.

Não há um consenso único entre as sociedades em favor de qual ensaio é o mais adequado para o monitoramento. Entretanto, O International Society on Thrombosis and Haemostasis interim guidance (ISTH) aconselha o monitoramento pacientes com  insuficiência renal grave recebendo anticoagulação profilática com HBPM. O Anticoagulation Forum (ACF) recomenda o monitoramento dos níveis de anti-Xa em pacientes com níveis basais prolongados de TTPa quando em terapia de HNF. American Society of Hematology (ASH) menciona sobre o monitoramento dos níveis de anti-Xa para pacientes recebendo HNF, pode ser necessário dado as variáveis que o ensaios de TTPa pode apresentar e também secundários a inibidores semelhantes ao lupus. Por último, American College of Chest Physicians (ACCP) recomenda o monitoramento de anti-Níveis de Xa em todos os pacientes que recebem HNF com potencial para resistência à heparina3.

Comparado com o tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa), os ensaios de anti-Xa são considerados menos influenciados pelas variáveis de padronização do teste, possuindo uma melhor comparabilidade interlaboratorial e permitindo assim uma maior efetividade terapêutica. O ensaio de anti-Xa é calibrado com a heparina em uso (HNF, HBPM ou híbrida) e possui faixa terapêutica pré-estabelecida de 0,3–0,7 UI/mL (CLSI H47-A2), facilitando o ajuste da dose3.

Vantagens do teste específico anti-Xa versus TTPa:

– Sem interferência por deficiência de fatores, outras doenças (lúpus, CIVD), ou tratamentos concomitantes (AVK, fibrinolíticos, IDT) 

– Redução do custo de hospitalização de 25 dias (usando o TTPa), para 17 dias (usando o ensaio anti-Xa)

– Escala terapêutica atingida em 48 horas em 100% dos casos

– Redução do número de dosagens/dia para ajuste do tratamento

Cabe aos laboratórios orientar aos clínicos qual o teste ideal para cada droga terapêutica e oferecer o melhor ao paciente será sempre a melhor escolha.

A Stago possui um portfólio completo de reagentes para o monitoramento de diversas drogas anticoagulantes já disponíveis no mercado brasileiro, com reagente específico para o Anti-Xa, líquido, pronto para uso, e calibradores e controles dedicados para melhor atender ao perfil do seu laboratório.

Referências bibliográficas 

1. Detcher SR, Rodgers GM. Thrombosis and Antithrombotic Therapy. In: Greer JP et al. Wintrobe´s Clinical Hematology, 11th ed. Philadelphia: Lippuncott Willians &Wilkins, 2004 p. 1713-58.

2. Barnes GD, Burnett A, Allen A, et al. Thromboembolism and anticoagulant therapy during the COVID-19 pandemic: interim clinical guidance from the anticoagulation forum. J Thromb Thrombolysis. 2020;50(1):72–81.

3. Flaczyk A, Rosovsky RP, Reed CT, Bankhead-Kendall BK, Bittner EA, Chang MG – Comparison of published guidelines for management of coagulopathy and thrombosis in critically ill patients with COVID 19: implications for clinical practice and future investigations. Crit Care 2020; 24 :559.

Tags:

anti-Xa, anticoagulante, covid-19, heparina, Stago, tromboembolismo venoso

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