Dímero D é usado com marcador de doenças trombóticas e embólicas

Os resultados mostraram que 22% dos pacientes apresentaram AVC isquêmico, com níveis de dímero D de 4.982 µg/L. Naqueles que não desenvolveram AVC, o dímero D medido foi de 2.205 µg/L.

Um estudo prospectivo realizado entre janeiro de 2016 e dezembro de 2018 por pesquisadores do Hospital Geral da Universidade Médica de Tanjin, na China, sugere que níveis elevados de dímero D podem ser usados como um marcador preditivo do risco de pacientes com endocardite infecciosa (EI) desenvolverem acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico.

A pesquisa compreendeu 173 pacientes admitidos no hospital com diagnóstico definitivo de EI feito com base nos critérios de Duke modificados. Cada paciente foi acompanhado durante seis meses, a partir da internação. O diagnóstico primário de AVC isquêmico baseou-se principalmente em sintomas neurológicos clínicos e imagens de ressonância magnética do crânio.

Além do dímero D foram obtidos outros dados, como contagem de glóbulos brancos e proteína C-reativa. Antes de começar a antibioticoterapia também foram realizadas para cada indivíduo três conjuntos de hemoculturas para identificar os organismos causadores da infecção.

Os resultados mostraram que 22% dos pacientes apresentaram AVC isquêmico, com níveis de dímero D de 4.982 µg/L. Naqueles que não desenvolveram AVC, o dímero D medido foi de 2.205 µg/L.

Nos pacientes que desenvolveram AVC isquêmico, em 85% dos casos esse problema ocorreu nos três primeiros meses, quando o nível de dímero D medido logo após a internação hospitalar era maior ou igual a 3.393 µg/L.

Segundo os pesquisadores, em estudos anteriores foi observado que níveis elevados de dímero D estavam associados a pior prognóstico e resultado funcional em pacientes com AVC isquêmico. No entanto, de acordo com a equipe da Universidade Médica de Tanjin, nenhuma pesquisa até agora havia se detido na relação dos níveis de  dímero D como um fator de risco potencial para AVC isquêmico em pacientes com EI submetidos a terapia médica conservadora.

“Nosso estudo sugere que um nível mais alto de dímero D na admissão hospitalar é um preditor independente de AVC isquêmico em pacientes com endocardite infecciosa, e que esses indivíduos precisam de atenção especial, principalmente nos três primeiros meses após o diagnóstico da doença”, diz Nan Xu, coautor do trabalho.

“A identificação precoce e precisa de pacientes com IE de alto risco que podem desenvolver acidente vascular isquêmico dará aos médicos a chance de intervenção imediata e iniciar uma terapia mais ativa” acrescenta.

O artigo High level of D-dimer predicts schemic stroke in patients with infective endocarditis foi publicado em fevereiro de 2020 no Journal of Clinical Laboratory Analysys.

Prevalência da EI  

A endocardite infecciosa é uma doença que oferece risco de vida, principalmente em países em desenvolvimento, e está associada às condições econômicas e de saúde. Segundo um estudo publicado em 2014 (Global and regional burden of infective endocarditis, 1990-2010: a systematic review of the literature), a prevalência de EI varia de 1,5 a 11,6 casos por 100 mil pessoas em todo o mundo.

A doença pode apresentar sintomas ou sinais extracardíacos, nos quais se destacam entre os mais graves as complicações neurológicas, como AVC isquêmico ou hemorrágico, aneurismas micóticos, abscessos cerebrais, meningite e encefalite.

Produto de degradação da fibrina — proteína produzida durante a coagulação do sangue —, o dímero D é usado como um marcador de doenças trombóticas ou embólicas, como trombose venosa profunda ou embolia pulmonar.

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acidente vascular cerebral, Dímero-D, endocardite infecciosa

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