Grupo ViriCan, do campus Botucatu, receberá financiamento da Fapesp para aprofundar estudo

No projeto, o grupo vai se debruçar sobre a ação de moléculas de RNA não codificantes, tanto as derivadas do EBV como também próprias das células humanas

Grupo de Estudos em Carcinogênese Viral e Biologia dos Cânceres, lotado no Instituto de Biotecnologia (IBTEC) e liderado pelo professor Deilson Elgui de Oliveira, da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) da Unesp, o ViriCan obteve recursos da Fapesp para, nos próximos dois anos, aprofundar estudos sobre o papel do vírus Epstein-Barr (EBV – sigla em inglês) em cânceres humanos, tais como o linfoma de Burkitt e carcinomas de nasofaringe.

O projeto de pesquisa do ViriCan, intitulado “Efeitos in vitro de RNAs não-codificantes (ncRNAs) humanos e do vírus de Epstein-Barr (EBV) em células imortalizadas derivadas de epitélio nasofaríngeo”, foi contemplado com financiamento na modalidade de “Auxílio Regular” e obteve cerca de R$ 112 mil para ações no país e mais US$ 25,8 mil para insumos e equipamentos adquiridos no exterior. O trabalho será desenvolvido por equipe de pós-graduandos sob orientação do pesquisador da Unesp.

Formalmente iniciadas em 2003, as atividades do ViriCan atualmente estão focadas em estudos sobre a importância de vírus cancerígenos como reguladores da agressividade de cânceres associados à infecção viral. No projeto financiado pela Fapesp, o grupo vai se debruçar sobre a ação de moléculas de ácido ribonucleico (RNA – sigla em inglês) não codificantes, tanto as derivadas do EBV como também próprias das células humanas.

O EBV foi o primeiro vírus no qual sequências para pequenas moléculas não codificantes, denominadas microRNAs (miRs), foram identificadas no genoma viral. Por outro lado, desde a descoberta dessas moléculas há cerca de 20 anos, o importante papel que miRs humanos desempenham na carcinogênese tem sido sistematicamente confirmado. Além de sofrer a influência de miRs próprios da célula humana, o desenvolvimento de cânceres associados ao EBV pode ainda ser influenciado pelos miRs virais. Ou seja, o desenvolvimento desses cânceres decorre tanto de distúrbios próprios das células humanas como aqueles causados por ação da infecção pelo vírus.

No estudo financiado pela Fapesp, os pesquisadores do ViriCan analisarão mudanças nas quantidades de determinados miRs humanos ou do EBV (denominados miR-BARTs) em modelo experimental de células que revestem a área da nasofaringe. Os pesquisadores visam identificar modificações das propriedades biológicas e de comportamento das células que possam indicar sua conversão a um estado denominado “transformação maligna” (equivalente ao observado nos cânceres que se desenvolvem no organismo), ou aquisição de propriedades que tornam os cânceres mais agressivos, causando sua disseminação pelo corpo e formação de metástases, por exemplo. Trata-se de área nova no estudo dos cânceres, na qual o grupo tem atuação pioneira no país, incluindo dois artigos recentemente publicados em prestigiadas revistas do grupo CellPress (Trends in Microbiology e Trends in Cancer), produzidos em colaboração com a Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

A identificação e a descrição de modos pelos quais o EBV ou outros vírus cancerígenos podem modificar a agressividade dos cânceres associados à infecção viral podem propiciar informações importantes para esclarecimento de como ocorre a disseminação das células malignas pelo organismo e o aparecimento de metástases. Adicionalmente, a identificação de moléculas-chave na regulação desses fenômenos pelo vírus pode propiciar novas formas de tratamento para cânceres muito agressivos ou em estágios avançados, mesmo aqueles não associados ao EBV ou outros agentes infecciosos.

O professor Deilson Elgui de Oliveira é biomédico com formação em patologia humana e atuação predominante em cancerologia desde seu doutoramento, concluído em 2002. Com informações da Unesp

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Fapesp, Unesp, ViriCan, vírus Epstein-Barr

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