Técnica permite diagnóstico precoce da doença

As amostras de soro foram submetidas à técnica de multiplex com microesferas para analisar os níveis das proteínas eotaxina- 1, MIP-1 beta, G-CSF, VEGF-A e FasL

Uma equipe do Instituto de Pesquisa Médica (MRI, na sigla em inglês) da Universidade de Alexandria, no Egito, desenvolveu um teste não invasivo que aplica a tecnologia multiplex com microesferas (multiplex bead) em amostras de soro para identificar marcadores que permitem um diagnóstico precoce do câncer de cólon (ou colorretal), o que também pode aumentar a adesão de pacientes à triagem.

Segundo os responsáveis pela pesquisa, essa doença é uma das principais causas de morte por câncer no mundo, mas se for identificada ainda no início seu prognóstico melhora sensivelmente. Eles acrescentam que os testes não invasivos usados atualmente, como o de sangue oculto nas fezes, não são muito precisos e ainda podem resultar em falsos positivos, o que indicaria a realização de colonoscopia desnecessária. Este procedimento, apesar de ser eficaz para o diagnóstico, enfrenta rejeição de pacientes por ser muito invasivo.

O estudo do MRI foi realizado com 87 indivíduos já submetidos à colonoscopia com histórico de sintomas gastrointestinais. Com base nos resultados da colonoscopia, os pacientes foram separados em um grupo de 35 pessoas com diagnóstico confirmado de câncer colorretal e 52 sem a doença. Este último, por sua vez, foi dividido em nove pessoas em que foram encontrados pólipos no cólon, 24 que apresentaram colite e 19 com mucosa normal (grupo controle).

As amostras de soro foram submetidas à técnica de multiplex com microesferas para analisar os níveis das proteínas eotaxina- 1, MIP-1 beta, G-CSF, VEGF-A e FasL. Os valores encontradas das quatro primeiras foram bem mais altos em pacientes com câncer de cólon em comparação com o grupo sem a doença. Também foi identificado um aumento estatisticamente significativo no nível sérico de G-CSF e VEGF-A entre os pacientes com a doença, quando comparados com os achados nos indivíduos que apresentavam pólipo de cólon pré-canceroso.

“O principal aspecto de nossa metodologia é o uso da tecnologia multiplex com microesferas para identificar marcadores a partir do soro do paciente, o que reduz o custo e o tempo para se obter o diagnóstico”, explica a médica Mona Eldeeb, autora principal do estudo.

Ela acrescenta que o desempenho geral dos marcadores séricos estudados é muito melhor que o fornecido pelo teste de sangue oculto nas fezes na triagem do câncer de cólon.

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2020 houve 40,99 mil novos casos de câncer colorretal, com 20,52 mil em homens e 20,47 mil em mulheres.  Dados do Atlas de Mortalidade por Câncer mostram que o número de mortes em 2019 por esse tipo da doença foi 20,579 mil, sendo 10,191 mil em homens e 10,385 mil em mulheres.

O estudo Multiplex bead assay of serum based biomarkers as a proposed panel for colorectal cancer diagnosis foi apresentado no dia 28 de setembro na sessão de pôsteres do 2021 AACC Annual Scientific Meeting and Clinical Lab Expo, realizado na cidade de Atlanta, nos Estados Unidos.

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câncer de cólon, marcadores, multiplex com microesferas

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