Equipe de pesquisadores da UFRJ desenvolve um kit de biologia molecular capaz de detectar o RNA do vírus SARS-CoV-2 em amostras de saliva e swabs nasofaríngeos de pacientes com suspeita de Covid-19. O diagnóstico leva menos de uma hora e tem um custo de apenas R$ 30

O teste, chamado de LAMP-Covid-19, amplifica o genoma viral em menos de 30 minutos e consegue detectar até 10 cópias do vírus em uma mesma amostra e é uma boa alternativa para ser realizado em lugares com pouca infraestrutura

Equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveu um kit de biologia molecular capaz de detectar o RNA do vírus SARS-CoV-2 em amostras de saliva e swabs nasofaríngeos de pacientes com suspeita de Covid-19. O diagnóstico fica pronto em menos de uma hora e tem um custo de apenas R$ 30. Ao contrário do PCR tradicional, não necessita de equipamentos complexos e nem caros. Com apenas um banho-maria a 600C, pipetas e tubinhos, o teste tem demonstrado precisão se comparado ao tradicional PCR. O teste já foi realizado em amostras de 30 pacientes positivos e outros 30 negativos para Covid-19 e o resultado foi de 100% de acerto, comparado ao resultado obtido pelo PCR.

O teste, chamado de LAMP-Covid-19, amplifica o genoma viral em menos de 30 minutos e consegue detectar até 10 cópias do vírus em uma mesma amostra e é uma boa alternativa para ser realizado em lugares com pouca infraestrutura. O resultado é analisado de forma colorimétrica, sendo a cor vermelha para o resultado negativo e amarela para o positivo.

A realização de testes, a partir da coleta da saliva para diagnostico da Covid-19, é uma ferramenta importante para ser aplicada em crianças, sobretudo em crianças internadas, e adultos acamados, que precisam ser testadas de forma repetida sem causar o incômodo da coleta nasofaríngea.

Liderados pelas pesquisadoras Mônica Lomeli e Fabiana Ávila Carneiro, ambas da Universidade Federal do Rio de Janeiro: “Queremos muito tornar possível a comercialização dos testes, por isso estamos em busca de parceiros que nos ajudem a produzir em larga escala e distribuir nossa produção.”, disse Mônica Lomeli. A equipe da pesquisadora conta com cinco alunos que criaram a startup Osiris Life Sciences. No momento, a Osiris participa do iGEM, uma competição de biologia sintética criada pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e hoje organizada pela iGEM Foundation, dos Estados Unidos, na busca de inovação na área da saúde. A equipe Osiris concorre com 343 outras equipes de diversos países.

O resultado é apresentado de forma colorimétrica, sendo a cor vermelha para o negativo e amarelo para o positivo

Para participar da competição, a Osiris desenvolveu o projeto Ammit, uma proteína para ser utilizada como reagente em kits de diagnóstico sorológico para diferenciar dengue, zika e chikungunya. A Ammit faz parte do projeto principal que a startup desenvolve, o DiagSyn – dispositivo eletroquímico multidiagnóstico capaz de detectar infecções virais em qualquer estágio da doença e oferecer resultados sorológico e molecular, ao mesmo tempo, para as três doenças. O dispositivo elaborado pela Osiris é um biossensor que faz leitura em uma fitinha, como nos testes de glicose, e o produto já foi selecionado, dentre startups do mundo inteiro, em um programa de aceleração da Universidade Técnica de Munich, na Alemanha.

A equipe Osiris recebeu, inicialmente, apoio da Faperj para participar de competições de caráter educacional – por meio do edital Apoio a Equipes Discentes em Projetos de Base Tecnológica para Competições de Caráter Educacional, e tem sido apoiada também por emendas parlamentares.

A Osiris Rio UFRJ é uma equipe multidisciplinar com alunos de cursos de graduação nas áreas de Biotecnologia, Engenharia Química, Engenharia de Bioprocessos e Nanotecnologia. A equipe é coordenada pelas professoras Mônica Montero Lomeli, do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, e Fabiana Ávila Carneiro, do Campus de Duque de Caxias Geraldo Cidade, e conta com a colaboração da Plataforma Avançada de Biomoléculas, coordenada pelos pesquisadores Marcius da Silva Almeida e Katia Cabral. Além disso, possui parcerias com os professores Emerson Schwingel e Fernando Cincotto, ambos do Instituto de Química. Os testes LAMP foram realizados com auxílio de obtenção das amostras pelo Laboratório de Virologia Molecular, coordenado pelo professor Amilcar Tanuri, e o Centro de Triagem e Diagnóstico, coordenado pela professora Terezinha Marta Castiñeiras. Alunos: Isis Botelho Nunes da Silva, Maria Eduarda Pereira Barros, Ramon Cid Gismonti Baptista, Vivian dos Santos Gomes, Lucas Santiago Menezes. Com informações da Faperj

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kit de biologia molecular, SARS-CoV-2

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