Trabalho foi materializado por meio de análise de dois corpos preservados por cinzas de erupção vulcânica

Ao comparar as amostras extraídas dos ossos do indivíduo com outras amostras de italianos, os pesquisadores perceberam similaridades com materiais genéticos de povos que habitavam a Itália central. O DNA mitocondrial e o cromossomo Y do indivíduo também se mostraram similares a amostras encontradas na região de Sardenha

Às 13h do dia 24 de agosto de 79 d.C, a pequena cidade de Pompeia, integrante do Império Romano, foi envolta em uma onda de cinzas vulcânicas gerada pela erupção do Vesúvio. Cerca de duas mil pessoas morreram na tragédia, mas as cinzas em altas temperaturas que foram responsáveis pelas mortes também preservaram corpos e construções, que estão mantidos até hoje nas posições originais.

A região acabou se tornando um sítio arqueológico que é importante fonte de pesquisas sobre o Império Romano. Foi em Pompeia que um grupo de pesquisadores decidiu investigar se o DNA dos corpos havia sido preservado desde o dia da tragédia.

“Um grupo da Universidade de Salento, na Itália, estava analisando dois esqueletos encontrados em Pompeia. Já se sabia que os dois indivíduos não eram relacionados geneticamente, então achávamos que poderia se tratar de um casal. Decidimos, então, sequenciar o DNA desses dois indivíduos”, conta o pesquisador Thomaz Pinotti, doutorando do Programa de Pós-graduação em Genética do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG e um dos autores do artigo Bioarchaeological and palaeogenomic portrait of two Pompeians that died during the eruption of Vesuvius in 79 AD, publicado na Scientific Reports, com relato da pesquisa que culminou no sequenciamento do genoma.

Pinotti explica que o grupo se surpreendeu com a conservação do DNA do indivíduo masculino. “A degradação do DNA é provocada por água e oxigênio. Nossa hipótese é que as cinzas da erupção conservaram esse DNA, ou seja, o ambiente livre de oxigênio propiciou a conservação do material genético.”

Diversidade genética na Itália

O pesquisador conta que o sequenciamento da amostra do indivíduo de Pompeia revelou uma diversidade genética que não é observada em indivíduos italianos nos dias atuais, o que indica uma variabilidade genética nos povos italianos. “Essa constatação pode abrir as portas para novas descobertas sobre o período do Império Romano”, diz.

Ao comparar as amostras extraídas dos ossos do indivíduo com outras amostras de italianos, os pesquisadores perceberam similaridades com materiais genéticos de povos que habitavam a Itália central. O DNA mitocondrial e o cromossomo Y do indivíduo também se mostraram similares a amostras encontradas na região de Sardenha.

As análises também identificaram lesões em uma das vértebras do indivíduo e DNA frequentemente encontrado em uma bactéria comumente causadora de um tipo de tuberculose, o que aponta para o fato de que o indivíduo poderia sofrer da doença antes da tragédia.

“Essas descobertas são importantes porque propiciam o entendimento de como esses povos viviam e quais patologias os afligiam. A compreensão da evolução dos povos antigos é extremamente importante, tanto na Europa quanto na América Latina, pois nos possibilita compreender melhor o passado e as origens dos povos atuais”, argumenta Thomaz Pinotti. Com informações da UFMG

Artigo: Bioarchaeological and palaeogenomic portrait of two Pompeians that died during the eruption of Vesuvius in 79 AD
Autores: Gabriele Scorrano, Serena Viva, Thomaz Pinotti, Pier Francesco Fabbri, Olga Rickards, Fabio Macciardi

Tags:

cinzas vulcânicas, DNA, Pompeia, sequenciamento do genoma

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