A transfusão é tida como uma opção que requer atenção e cuidado tanto quanto um transplante de órgãos

A transfusão de sangue é objeto de estudo desde meados do século 15. Ao longo da história, a prática chegou a ser proibida pelas principais universidades de medicina da Europa pelo acentuado número de ocorrências e complicações em pessoas submetidas ao procedimento. Popularizada na Primeira Guerra Mundial, após o relato da tipagem de sangue ABO feito pelo imunologista austríaco Karl Landsteiner, no início do século 20, o fato é que, ainda hoje, a transfusão é tida como uma opção que requer atenção e cuidado tanto quanto um transplante de órgãos, por exemplo. “A transfusão de sangue é um transplante de órgãos. Diferenciado um pouquinho por algumas características imunológicas, mas é um transplante de órgãos”, afirma o vice-presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), Dr. José Francisco Comenalli Marques Jr.

Enfático ao descrever a hemoterapia como uma ciência arriscada, Marques destaca que a plena segurança na realização da prática só vai ocorrer quando a tecnologia evoluir ao ponto de ser possível produzir o sangue em uma usina por meio da biologia molecular, avanço que não deve ocorrer em menos de 20 anos, segundo as estimativas mais otimistas do especialista.

Tal projeção faz as soluções tecnológicas implantadas na hemoterapia irem além da busca pela eficácia, carregando em si uma missão. “Existem riscos como em qualquer transplante: de rejeição, alergia, um risco que é próprio do transplante, que tentamos mitigar com todos os testes de compatibilidade feitos antes de liberar a transfusão. Mas qualquer outro risco que uma tecnologia possa evitar é nossa missão”, destaca a vice-presidente do Banco de Sangue do Hospital Sírio-Libanês, Dra. Roberta Fachini.

É com essa atribuição que a Roche Diagnóstica tem em seu portfólio uma solução completa destinada à elevação da segurança e efetividade dos bancos de sangue para as três fases do processo: pré-análise, testagem e pós-análise, além dos principais equipamentos de testagem da empresa – cobas s 201, cobas® 6800, cobas e 601 e cobas e 801 –, cruciais para a identificação dos parâmetros que são mandatoriamente testados no Brasil (HIV, HCV, HBV, HTLV I/II, sífilis e chagas).

Esses modais de soluções automatizadas são destinados a reduzir os índices de erros laboratoriais, garantindo a rastreabilidade de todo o processamento da amostra e segurança ao paciente.

Os equipamentos cobas p 312, cobas p 512 e cobas p 612 são instrumentos desenvolvidos para diminuir entre 46% e 68,2%6 a taxa de erros humanos no manuseio das amostras na fase anterior à testagem, logo após a coleta do material. “Essa é a fase de identificação, centrifugação e preparo antes dessa amostra entrar nos equipamentos de testagem molecular e de imunologia para ser efetivamente analisada”, afirma o gerente de Produto de Bioquímica, Doenças Infecciosas e Workflow da Roche Diagnóstica, Gabriel Laurentis. Ele salienta que os equipamentos pré-analíticos fazem a identificação de código de barras, retirada de tampa, verificação do volume de amostra e dos índices séricos de hemólise, lipemia e bilirrubinemia e centrifugação, garantindo completa rastreabilidade das amostras antes do processamento.

Já os cobas p 501 / 701 são geladeiras automatizadas para armazenamento de amostras, servindo como soroteca para o banco de sangue. Laurentis explica que, ao término da testagem, as amostras são tampadas e acondicionadas no equipamento refrigerado, programado para fazer a rastreabilidade por código de barras pelo tempo que a amostra ficar armazenada; quando necessário, ele realiza a retirada mecânica da amostra para a repetição da análise.

A automação do processo é um dos principais destaques para os bancos de sangue.

A automação do processo é um dos principais destaques para os bancos de sangue. Com a menor interferência humana possível, os equipamentos da fase de testagem das amostras cobas s 201, cobas® 6800 (molecular), cobas e 601 e cobas e 801 (ambos de imunologia) são capazes de garantir ensaios 100% sensíveis e, com isso, elevar a eficácia e eficiência das testagens de bolsas de sangue. “A automação traz o benefício de evitar o erro humano, sempre com o objetivo de levar o melhor para o paciente que está na ponta”, afirma a gerente de Produto de Soluções Moleculares da Roche, Andrea Bredariol.

Quem também chama a atenção para a forma ágil e segura como os testes são feitos com o cobas s 201 e cobas e 601 é o presidente do Banco de Sangue do Hospital Sírio-Libanês, Dr. Silvano Wendel, que utiliza as duas soluções da Roche Diagnóstica na rotina do centro médico pioneiro na implantação do teste de ácido nucleico (NAT) no Brasil. “São equipamentos que não chegam a ser hands free, mas, basicamente, uma vez que você deu entrada com as amostras no equipamento, você esquece e já pega o resultado final direto no sistema de informação que é o cobas® Infinity, também da Roche. São sistemas rápidos, plataformas seguras, com resultados bastante consistentes”, afirma Wendel.

No mercado brasileiro há quase 10 anos, o cobas s 201 é o responsável por toda a testagem molecular dentro do hemocentro. O Hospital Sírio-Libanês foi a primeira unidade a implantar o equipamento, em 2009, ao substituir sua tecnologia in house de NAT4, a fim de melhorar o fluxo operacional do laboratório e aumentar a sensibilidade das testagens por NAT. “Os produtos para testagem por NAT da Roche conseguem detectar quantidades pequenas do HIV ou das hepatites B e C na amostra. É fundamental para o banco de sangue que o teste tenha uma sensibilidade muito alta, e é o que as soluções moleculares da Roche (cobas s 201 e cobas® 6800) oferecem”, destaca Andrea Bredariol.

O NAT nas amostras coletadas para banco de sangue passou a ser obrigatório apenas em 2014, após a publicação da Portaria 2.265 pelo Ministério da Saúde. O cobas e 801, equipamento de imunologia que trabalha de maneira randomizada – permitindo o carregamento contínuo de reagentes – chegou recentemente ao mercado nacional com o objetivo de atender bancos de sangue com volumes maiores de testagem e tem maior capacidade de liberação de testes por hora do que o cobas e 601. Ambos os equipamentos possuem seleção contínua para os sete parâmetros de testagem necessários para os doadores de sangue, que são HIV, hepatite B (HBsAg e anti-HBc), hepatite C, sífilis, chagas e HTLV. “São ensaios de alta sensibilidade e especificidade. Com isso, conseguimos garantir mais segurança e menos falso-positivos nos bancos de sangue, proporcionando mais eficiência no gerenciamento da bolsa de sangue”, afirma Gabriel Laurentis.

Ao todo, os equipamentos da Roche fazem 24 ensaios para doenças infecciosas, sendo sete específicos para a triagem do doador de sangue.

Confira este e outros artigos na última edição da revista Roche News:

Tags:

automação, bancos de sangue, hemoterapia, Roche Diagnóstica, transfusão de sangue

Compartilhe: