Direcionado ao público da área, o evento é aberto e as inscrições devem ser realizadas no local do evento

A próxima edição do Seminários do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG traz uma pesquisa inédita a respeito da sinalização do carcinoma hepatocelular (CHC), tipo mais comum de câncer de fígado e segunda maior causa de morte entre todos os tipos de câncer.

No dia 14 de maio, das 13h às 14h, no auditório Cerrado (3) do ICB, a professora titular do Departamento de Fisiologia e Biofísica, Maria de Fátima Leite, e coordenadora do Liver Center UFMG, apresenta a pesquisa Sinalização do cálcio: o fígado em foco.

Direcionado ao público da área, o evento é aberto e as inscrições devem ser realizadas no local do evento. Haverá emissão de certificado para os participantes.

Mais informações sobre o evento podem ser consultadas no site do Núcleo de assessoramento à Pesquisa do ICB (NAPq), que organiza os Seminários, evento mensal que apresenta pesquisas de todos os departamentos do Instituto. Clique aqui.

Sobre a pesquisa

“Apesar da diversidade de causas do carcinoma hepatocelular, como infecção pelo vírus da hepatite C, consumo crônico de álcool, doença hepática gordurosa, entre outras, não existe informações a respeito de uma via comum de sinalização intracelular relacionada a esse tipo de câncer ou a qualquer condição prévia que pudesse indicar o surgimento da doença”, afirma a pesquisadora Maria de Fátima Leite. A sinalização intracelular está relacionada à forma como as células codificam alterações bioquímicas em uma determinada função do organismo.

Através de análises de bioinformática e de estudos in vivo, in vitro e em amostras humanas, a pesquisa identificou o aparecimento de um canal adicional de cálcio nos hepatócitos, células encontradas no fígado, somente quando há o desenvolvimento do carcinoma hepatocelular.

Em termos mais científicos, a pesquisadora explica que foi identificada “uma isoforma do canal de cálcio, o receptor de IP3 do tipo 3 (ITPR3), que passa a ser expressa nesse tipo de carcinoma”. O ITPR3 é uma proteína que é codificada pelo gene de mesmo nome e é também um receptor dos íons de cálcio. Na pesquisa da professora Maria de Fátima, os cientistas descobriram que em condições fisiológicas a expressão desta isoforma é inibida pela metilação do DNA – um tipo de alteração reversível do DNA que inibe a expressão dos genes. Algo semelhante a um mecanismo de ligar e desligar genes, do qual participam fatores externos relacionados ao ambiente e à forma como a pessoa vive seu dia-a-dia, a epigenética e a qual está muito relacionada a expressão genética.

“A expressão do receptor de IP3 do tipo 3, o ITPR3, leva a uma maior proliferação das células hepáticas, sugerindo ser essa a participação da sinalização de cálcio, via ITPR3, no surgimento do carcinoma hepatocelular”, afirma a pesquisadora, para quem a descoberta indica este receptor como um possível biomarcador que permite prever o curso provável de uma doença, ou o prognóstico desse tipo de carcinoma. Além disso, o estudo abre caminho para novo alvo terapêutico para o câncer de fígado.

Com pós-doutorado na área de biologia celular em Yale (EUA), Maria de Fátima Leite é pesquisadora do CNPq e International Fellow da Howard Hughes Medical Institute (2007-2012). Seus estudos concentram-se na área de biologia celular e molecular com ênfase em cálcio intracelular na fisiopatologia do fígado.

Tags:

carcinoma hepatocelular, Seminários do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG

Compartilhe: