O controle de qualidade da água produzida por esses equipamentos é feito através de um analisador de TOC (carbono orgânico total)

Nos últimos anos, muitas foram as técnicas desenvolvidas para processos de tratamento de água. Desde a década de 1970 a tecnologia de osmose reversa tem ocupado lugar de destaque nesse meio, porém, nunca foi a predileta das empresa que precisam de água com salinidade muito baixa. Devido ao seu percentual de rejeição iônica, não pode operar separada de outros processos de tratamento.

Uma membrana comum, geralmente fabricada em polissulfona e poliamida, tem um percentual de rejeição de 95 a 98,5%. Sendo assim, a água produzida por esse tipo de tecnologia, quando utilizada isoladamente, terá em sua composição cerca de 5 a 3% dos sais existentes na água de entrada. Um fato curioso nesse processo é que, quanto menor a salinidade da água de entrada, menor será o percentual de rejeição iônica executado pela membrana de osmose reversa, por causa de um efeito conhecido como concentração por polarização.

Em segmentos como na indústria farmacêutica, é exigido que uma água para produção de insumos contenha pouquíssimos sais. As normas preconizam condutividade menor que 1,0 µS (que corresponde a 0,68 mg por litro de sólidos dissolvidos). Durante muitos anos, fabricantes de equipamentos de osmose reversa lançaram mão de artifícios químicos e de controle para aumentar a eficácia da rejeição salina de seus equipamentos, fazendo a adição de álcalis e ácidos na água de alimentação e modificando o pH de entrada para eliminar gases dissolvidos.

Outros, porém, para evitar a adição desses produtos, combinam a eficiência parcial da osmose reversa com as resinas de troca iônica, uma outra tecnologia de remoção de sais por captura de íons. Mas esse recurso tem seus efeitos negativos, assim como o anterior. Devido à saturação química das resinas de troca iônica, elas precisam ser substituídas ou regeneradas com soluções de soda cáustica e ácido clorídrico de tempos em tempos, o que dificulta e aumenta o custo operacional de tais projetos e atrapalha drasticamente o processo de validação desses sistemas.

Em 2013, a ANVISA publicou um Guia de Qualidade para Sistemas de Purificação para Uso Farmacêutico onde essa combinação de tecnologias é amplamente defendida e encorajada, mas descartando o uso de resinas de troca iônica justamente pelos fatos mencionados acima e recomendando fortemente que as sanitizações dos equipamentos sejam feitas por água aquecida, pois até então o processo de sanitização mais usado era feito com produtos químicos, por exemplo, ácido peracético (mistura de ácido acético com peróxido de hidrogênio).

Alinhada com essa perspectiva de mercado, a Gehaka tem produzido equipamentos com a combinação tecnológica, usando em seus sistemas a osmose reversa e a eletrodeionização (troca iônica sem uso de regeneração química), construindo máquinas em aço inoxidável de alta pureza (316L), onde a sanitização pode ser feita com água aquecida a 80 graus produzida pelo próprio sistema, sem necessidade de vapor externo ou outras fontes de calor, dispõe ainda de controles de automação com recursos exclusivos de acesso e registro de dados.

Esse tipo de montagem de sistemas de tratamento de água tem muitas vantagens em relação aos seus antecessores, como a osmose reversa duplo passo. Um deles, como já foi dito, é não haver necessidade de adição de produtos químicos para melhorar a rejeição salina. Esse artificio dificulta a validação e a manutenção da qualidade de água produzida por esses sistemas (ocorrem várias oscilações ao longo do dia em função da mudança de pH), além de oferecer um risco constante pela adição de contaminantes físico-químicos à água de alimentação.

Na combinação das tecnologias de osmose reversa e eletrodeionização, conseguimos retirar parcialmente os sais da água de entrada pelo primeiro processo e em seguida fazer um polimento eletroquímico bastante eficiente através do segundo processo. Assim, conseguimos água com salinidade extremamente baixa e de forma constante; para melhorar ainda mais o processo e atender às normas construtivas imposta pela ANVISA, é possível agregar um último processo por membranas de osmose com sanitização térmica.

O controle de qualidade da água produzida por esses equipamentos é feito através de um analisador de TOC (carbono orgânico total) instalado imediatamente após o processo de tratamento. Esse instrumento é capaz de medir impurezas orgânicas na água tratada e ainda verificar a quantidade de sais existente nela.

Hoje, com várias plantas instaladas e qualificadas pelo Brasil, a Gehaka contribui para a melhoria dos processos produtivos farmacêuticos e cosméticos, encontrando soluções individuais de geração, armazenagem e distribuição de água tratada com a melhor relação custo-benefício, sem abrir mão de atender plenamente às normas mais exigentes do mercado (ASME, USP e ANVISA).

Os projetos da Gehaka visam, além de atender às necessidades específicas de cada cliente, envolvê-los no processo, desenvolvendo competências para qualificação de seus sistemas para que a parceria entre Gehaka e cliente seja sólida e eficaz.

Por Rogério Mendes Couto

Gerente de Negócios, Divisão de Tratamento de Água

Tags:

Gehaka, indústria farmacêutica, tratamento de água

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