Softwares de inteligência artificial capazes de analisar uma infinidade de dados são a grande aposta para elevar a qualidade de vida, ampliar a sobrevida do paciente e até mesmo descobrir a cura para doenças graves

Há apenas uma resposta que garanta que toda a evolução sobre uma patologia esteja acessível à equipe clínica e, consequentemente, ao paciente: a digitalização da saúde

Cinquenta anos. Esse era o tempo levado pela ciência para que toda a base do conhecimento médico sobre uma determinada doença fosse duplicada em 1950. Três décadas depois, esse tempo já tinha caído para sete anos; passou para três anos e meio em 2010 e a estimativa é que ele não ultrapasse 73 dias em 2020. O dado que demonstra o quanto a medicina evoluiu em menos de um século com o advento da “era da informação” evidencia também a impossibilidade de o cérebro humano acompanhar e processar sozinho o macrovolume de informações disponíveis. Em meio a esse cenário, há apenas uma resposta para garantir que toda a evolução sobre uma patologia esteja acessível à equipe clínica e, consequentemente, ao paciente: a digitalização da saúde.

Enquanto o médico da metade do século 20 tinha à disposição livros e publicações científicas apresentando resultados de ensaios clínicos em países mais desenvolvidos, o especialista dessa geração tem ao alcance de um clique tecnologias de softwares e algoritmos que, enriquecidos com inteligência artificial, são capazes de analisar em tempo real uma infinidade de dados para dar suporte à sua decisão. “Em determinados momentos, você vai ter mais dados do que precisa para tomar uma decisão. Portanto, a digitalização não tem relação apenas com o conhecimento que se tem hoje e não será completamente válido amanhã, mas ela permite que você tome uma decisão embasada por dados”, afirma o diretor de Valor Médico e Acesso da Roche Diagnóstica Brasil, Micha Nussbaum.

Micha Nussbaum, diretor de Valor Médico e Acesso da Roche Diagnóstica Brasil

Diante da constatação de que é impossível fazer medicina de ponta sem o amplo aparato tecnológico para suportar a decisão médica, o grande desafio da indústria hoje é acompanhar essa evolução sem elevar o custo com a saúde, que já possui cifras consideráveis. O Brasil gasta hoje 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) com saúde pública, e ainda assim está atrás de países desenvolvidos, que gastam em média 6,5% do PIB com saúde. A única maneira de garantir que o avanço tecnológico contribua com a elevação da qualidade de vida do paciente e, ainda assim, não onere o orçamento com a saúde, é optar por soluções resolutivas, com resultados comprovados e que, de fato, contribuam para garantir assertividade no diagnóstico e tratamento clínico.

Nussbaum é categórico ao afirmar que, mais do que trabalhar para que a evolução da ciência siga na direção do desenvolvimento de novas terapias no mercado, sua prioridade deve ser contribuir para que todas as informações disponíveis sobre uma patologia ou histórico do paciente sejam analisadas por softwares capazes de entregar relatórios que auxiliem a equipe médica a sugerir a melhor conduta. “Ainda há falta de terapias, mas tão importante quanto ter novos tratamentos disponíveis é o benefício de entender melhor cada paciente e utilizar uma terapia que já existe de forma melhor”, destaca o diretor da Roche, ressaltando que as informações já estão disponíveis, mas hoje não são analisadas de forma plena e organizada. “Um teste recente mostra que você não olha o histórico dos exames que o paciente fez porque isso leva muito tempo e, se não for feito de maneira estruturada, não agrega em nada”, enfatiza Nussbaum.

É imersa nesse cenário que a Roche vem investindo em softwares que prestam esse tipo de suporte à equipe multidisciplinar engajada no atendimento do paciente, como o Navify®, que chega ao Brasil no início de 2019, com o objetivo de oferecer soluções digitais para a leitura de dados nas diversas ramificações do tratamento clínico. O portfólio das tecnologias focadas em digitalização de saúde também compreende o Viewics, solução de business intelligence, focada em otimizar os processos no ambiente laboratorial; o Digital Pathology, destinado a analisar as lâminas para um diagnóstico eficaz; e o cobas® infinity, tecnologia para a gestão laboratorial.

O gerente do grupo médico da Roche Farma, Pitágoras Justino, que acompanha de perto os impactos da transição do processo analógico para o digital, destaca que a incorporação da tecnologia é capaz de acelerar com segurança o desenvolvimento de novas drogas porque, além da melhoria na compilação de dados, ele facilita a troca de informações entre os stakeholders envolvidos no processo. “O termo ‘digitalização da saúde’ reflete muito a facilidade de comunicação em tempo real entre especialistas de áreas distintas e os pacientes para a tomada de decisão imediata, o que contribuirá para a evolução do quadro do paciente”, declara Justino.

Este artigo pode ser lido na íntegra na última edição da revista Roche News:

Tags:

digitalização da saúde, era da informação, inteligência artificial

Compartilhe: